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Flávio Dino processa críticos e reacende debate

Ações judiciais contra ofensas expõem tensão entre liberdade de expressão e proteção à honra
Magoa, ou revanche? Ministro do STF, Flávio Dino, processa quem o critica. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

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⚖️ O ministro e os tribunais

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, tem recorrido cada vez mais ao sistema judicial para responder a críticas e ofensas dirigidas a ele e à sua esposa, Daniela Dino Farias Lima, em redes sociais. Processos por danos morais contra influenciadores e cidadãos comuns levantam a discussão central: até onde vai a liberdade de expressão no Brasil?

Entre os casos, destaca-se o processo contra o empresário Carlos Eduardo da Silva Mendes, que, em 2024, publicou no TikTok acusações de corrupção relacionadas a respiradores na gestão de Dino como governador do Maranhão. O casal pede R$ 300 mil de indenização, com decisão liminar determinando a remoção do conteúdo.

Outro episódio envolve o influenciador Bruno Aiub (Monark), condenado em 2024 a 1 ano, 1 mês e 11 dias de prisão em regime semiaberto e ao pagamento de R$ 50 mil por injúria, após chamá-lo de “mente perversa” e usar termos depreciativos em uma live. A defesa alegou crítica política, mas a Justiça considerou excesso.

📱 Redes sociais no centro do conflito

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Dino também processou o advogado Gustavo Martello, que em 2023 usou o X para chamá-lo de “bandidino” e “vagabundo”. O caso terminou em acordo com indenização de R$ 3 mil.

Esses episódios se somam à postura já conhecida do ministro: defensor da regulação de redes sociais e de medidas punitivas contra o que classifica como “desinformação e discurso de ódio”. Em junho de 2025, durante julgamento sobre o Marco Civil da Internet, Dino afirmou que plataformas devem ser responsabilizadas por conteúdos que incentivem a violência.

🗣️ Debate no STF

O tema também chegou ao plenário da Suprema Corte. Em maio, Dino discutiu publicamente com o ministro André Mendonça durante análise sobre o aumento de pena para crimes contra a honra cometidos contra agentes públicos. Dino defendeu a ampliação, afirmando que chamar uma autoridade de “ladrão” seria uma “ofensa gravíssima”.

Mendonça, acompanhado do presidente Luís Roberto Barroso, contestou, defendendo a limitação da pena mais dura apenas para calúnia (atribuição falsa de crime). Para ele, adjetivos como “irresponsável” ou “incompetente” não podem ser tratados como crime de mesma gravidade.

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📚 Conservadorismo e liberdade de expressão

A tradição liberal e conservadora ressalta que a liberdade de expressão é a base de uma sociedade democrática. Desde a Constituição de 1988, o Brasil consagra o direito de manifestação, com limites claros já estabelecidos para calúnia, injúria e difamação. A criação de novas camadas de censura — ainda mais quando partem de figuras públicas que deveriam ser alvo natural da crítica social — gera receio de que se esteja avançando para um Estado mais controlador.

Como bem lembrou o jurista Ives Gandra da Silva Martins, a crítica política, mesmo dura, “é inerente ao jogo democrático e não pode ser sufocada sob pretexto de proteger autoridades”. A tensão entre preservar a honra e garantir a crítica pública coloca em xeque o equilíbrio entre autoridade estatal e liberdade individual.

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Reportagem | Portal Acre Conservador
*Com informações de Pleno News / G1 / CNN Brasil

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