O Departamento de Estado dos Estados Unidos incluiu o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) em sua lista de organizações terroristas globais, medida anunciada na última quinta-feira (28). A classificação provocou uma série de posicionamentos divergentes entre o governo brasileiro e partidos de oposição.
A porta-voz do Departamento de Estado, Amanda Roberson, confirmou à CNN que a decisão foi tomada após a identificação da atuação das duas facções em pelo menos 12 estados americanos. Roberson não especificou quais estados, afirmando que detalhes cabem às autoridades judiciais.
Segundo ela, o governo dos EUA considera que a influência e as redes criminosas do PCC e do CV ultrapassam as fronteiras brasileiras, e que continuará utilizando todos os instrumentos disponíveis para proteger a segurança nacional americana.
O Palácio do Planalto divulgou uma nota extensa em resposta à medida, listando as ações do governo federal no combate ao crime organizado e na redução da violência. O texto afirma que a cooperação internacional é bem-vinda, desde que não afete a soberania nacional e a independência financeira do país.
A nota destaca que a principal preocupação é o impacto financeiro, já que a legislação americana autoriza o bloqueio de recursos e maior controle sobre transações envolvendo instituições ligadas às organizações classificadas. O Planalto também mencionou possíveis efeitos sobre o Pix, sistema de pagamentos amplamente usado no Brasil.
O documento ainda critica a família Bolsonaro, classificando como deplorável a viagem de integrantes aos EUA para defender intervenção estrangeira, citando o episódio do tarifaço que teria causado danos ao país.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou diretamente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que esteve em Washington para se encontrar com o presidente americano Donald Trump. Lula afirmou que se reuniu com Trump por três horas e entregou quatro documentos, um deles sobre combate ao crime organizado.
Lula disse que Flávio Bolsonaro “não tem vergonha na cara de trair a pátria” ao pedir intervenção americana no Brasil. Em resposta, Flávio afirmou que Lula estaria “defendendo a soberania do CV e do PCC”, acirrando o debate político.
A pré-campanha de Flávio Bolsonaro divulgou nota dizendo que representações de parlamentares da base aliada são “mais uma demonstração de que a esquerda brasileira tenta utilizar o judiciário como extensão de seu projeto político”. O texto considera inaceitável que se tente criminalizar a cooperação internacional contra o terrorismo.
Parlamentares do PSOL e da Rede acionaram a Procuradoria-Geral da República (PGR) para investigar se Flávio Bolsonaro cometeu crime contra a soberania nacional durante sua visita aos EUA. O documento alega que as articulações do senador com o governo Trump prejudicaram o combate ao crime organizado e abriram precedentes para intervenções externas.
O deputado Lindbergh Farias (PT) também acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo que a decisão americana seja incorporada como fato novo ao processo contra Eduardo Bolsonaro, que responde por suposta coação de autoridades. Lindbergh argumenta que a ação americana reforça a conexão entre a atuação internacional de Eduardo, Flávio, Jair Bolsonaro e o jornalista Paulo Figueiredo, que tentariam pressionar instituições brasileiras.
O deputado alerta que, ao enquadrar o crime organizado sob a legislação antiterrorista, os procedimentos podem migrar da cooperação penal para mecanismos de segurança nacional e inteligência dos EUA, que seguem regras mais restritivas.
Fonte: CNN Brasil






























