O envelhecimento da população brasileira está transformando o cenário eleitoral. Um estudo da Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, baseado em informações oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), revela que o número de eleitores com mais de 60 anos cresceu 74% nos últimos 16 anos. Esse grupo, conhecido como “geração prateada”, agora soma 36,8 milhões de pessoas aptas a votar.
No mesmo período, o total de brasileiros com título de eleitor aumentou apenas 15%. Isso significa que a fatia de idosos no eleitorado ganhou um peso muito maior. Atualmente, os maiores de 60 anos representam 23,2% do total, enquanto os jovens de 16 a 24 anos correspondem a apenas 11,9%. Em 2010, a situação era inversa: os mais jovens eram 18% do eleitorado.
“Na prática, poderemos ter um de cada quatro votos dados por pessoas com pelo menos 60 anos. Em um cenário de aguda polarização, em que a eleição de 2022 foi definida por menos de 2 milhões de votos de diferença, conquistar o voto desse eleitor é mais do que estratégico”, afirma Marcelo Tokarski, diretor-geral da Nexus.
Apesar de o voto ser facultativo para essa faixa etária, Tokarski destaca que os eleitores com mais de 70 anos têm comparecido mais às urnas. Em 2022, a abstenção nesse grupo foi de 58,9%, abaixo dos 60% registrados em 2014 e 2018. “Assim como os jovens, esses são os brasileiros a serem conquistados pelos candidatos. Eles não têm obrigação de votar e só vão às urnas se tiverem um bom motivo. […] Essas pessoas têm a possibilidade de mudar os rumos de uma eleição”, analisa.
Além do crescimento demográfico, o eleitor idoso tem se mostrado um “voto pendular”, alternando suas preferências entre diferentes candidatos. Dados da Quaest mostram que, no segundo turno de 2018, Jair Bolsonaro (PL) venceu Fernando Haddad (PT) nesse segmento, com 50% contra 34% dos votos. Já em 2022, a situação se inverteu: Lula (PT) derrotou Bolsonaro por 47% a 39% entre os maiores de 60 anos.
Pesquisa Quaest divulgada em agosto aponta que Lula lidera nesse grupo em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro. O presidente tem 48% das intenções de voto, enquanto o candidato do PL aparece com 35% entre os eleitores de 60 anos ou mais.
O levantamento da Quaest foi realizado por meio de entrevistas presenciais com 2.004 pessoas em todo o país, entre os dias 10 e 13 de agosto. A pesquisa foi contratada pela Rede Globo, tem margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O registro no TSE é BR-06773/2026.
O envelhecimento populacional também se reflete em outros setores. Segundo Jefferson Mariano, analista socioeconômico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a proporção de brasileiros com 60 anos ou mais saltou de 10% para 17,2% entre os censos de 2010 e 2022. “No mercado de trabalho, também ocorre o envelhecimento do contingente populacional. A maior faixa etária de pessoas ocupadas está subindo e alcançando a faixa entre 40 e 49 anos. Há um processo significativo de envelhecimento que impacta em todos os setores e dimensões sociais”, explica.
Mariano destaca que a expectativa de vida do brasileiro é de 77 anos, com predominância de mulheres e da raça branca na população idosa. “A concentração é maior nas regiões Sul e Sudeste, e também em termos de participação no mercado de trabalho e nos demais indicadores. A longevidade está associada diretamente à existência e à maior disponibilidade de equipamentos sociais urbanos”, comenta.
De acordo com a Nexus, os estados com maior participação de eleitores acima dos 60 anos são Rio Grande do Sul (29,3%), Rio de Janeiro (28%), Minas Gerais (26%), São Paulo (24,6%) e Paraná (24,5%). “O fato de os maiores colégios eleitorais do país estarem entre os que mais envelhecem coloca a geração 60+ no centro gravitacional de qualquer estratégia política vitoriosa”, reforça Tokarski.
Com esse cenário, os partidos e candidatos precisam direcionar suas campanhas para esse eleitorado crescente, que pode definir os rumos das próximas eleições. A tendência é que a “geração prateada” tenha um papel cada vez mais decisivo nas urnas.
Fonte: Gazeta do Povo




























