O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) saiu em defesa do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de tentar capitalizar politicamente com a imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.
Em entrevista ao Metrópoles nesta terça-feira (21/7), Eduardo afirmou que o petista ‘comemorou’ a medida ao atribuir a responsabilidade pela taxação à família Bolsonaro.
Segundo ele, a investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) foi de natureza técnica, e a manifestação pública de Rubio ocorreu apenas depois do que classificou como declarações políticas de Lula.
‘A Seção 301 sempre foi um processo técnico. O Marco Rubio teve que entrar no campo político porque o Lula também estava mentindo para ter ganhos políticos. O Lula fez um textão quase comemorando as tarifas, onde ele abre o texto culpando o Flávio Bolsonaro’, declarou.
O ex-parlamentar disse que Rubio não participou da análise comercial que embasou a investigação americana, mas reagiu politicamente ao discurso do presidente brasileiro.
‘O que o Marco Rubio fez? Ele viu essa mentira, essa injustiça. Ele não é um ator técnico, porque não faz uma análise comercial das coisas. Ele é um ator político que estuda e trabalha dentro da geopolítica. Ele botou uma ‘água no chope do Lula”, afirmou.
Eduardo também relacionou a postura do secretário de Estado à sua origem familiar. ‘O Rubio é descendente de cubanos. Dentro de casa ouviu as histórias de como se comportam, de maneira inescrupulosa, esses líderes de esquerda. E o Lula não é exceção à regra.’
Na avaliação do ex-deputado, o governo brasileiro buscou transformar a crise comercial em um ativo eleitoral. ‘Se for preciso que o povo pague mais tarifa, que gere inflação e desemprego para os próprios brasileiros, se o Lula entender que isso vai trazer ganhos na eleição, ele o fará, tanto que o fez. O Rubio só desnudou a estratégia do Lula.’
As declarações ocorrem em meio ao aumento da tensão entre Brasília e Washington, após o governo de Donald Trump oficializar uma tarifa adicional de 25% sobre parte das importações brasileiras.
A medida foi anunciada após a conclusão de uma investigação do USTR, que apontou que o Brasil adota práticas consideradas ‘desleais, discriminatórias e irrazoáveis’ contra empresas norte-americanas.
A nova tarifa atinge produtos como etanol, máquinas agrícolas, calçados, vestuário, papel, açúcar e produtos químicos. Por outro lado, diversos itens ficaram de fora da taxação, entre eles café, carne bovina, mel orgânico, açaí, laranja, terras-raras, além de produtos de aço e alumínio já sujeitos a outras tarifas, insumos industriais e componentes da indústria aeroespacial.
Eduardo Bolsonaro é apontado por autoridades brasileiras como um dos articuladores da aproximação entre integrantes do governo Trump e aliados da oposição brasileira durante a escalada das tensões comerciais.
Na segunda-feira (20/7), durante a convenção nacional do PDT, em Brasília, Lula elevou o tom contra o governo americano e desafiou Marco Rubio a participar da campanha eleitoral brasileira em apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), sem citar nominalmente o parlamentar.
‘Eu estou convidando quem quiser do mundo para vir ver as eleições aqui no Brasil. Quem quiser pode vir acompanhar. Se o secretário de Estado americano, Marco Rubio, quiser vir apoiar meu adversário, que venha. Que monte o comitê. Pois a gente vai derrotar todos em nome da defesa da democracia no Brasil’, afirmou o presidente.
A declaração foi uma resposta às críticas feitas por Rubio nas últimas semanas. O chefe da diplomacia americana responsabilizou Lula pelo fracasso das negociações comerciais entre os dois países e afirmou que o presidente brasileiro colocou ‘seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro’. Segundo Rubio, ‘essas tarifas são o preço por isso’.
Fonte: Metrópoles






























