O dólar comercial encerrou a sessão desta quarta-feira (22) em baixa, cotado a R$ 5,051, enquanto o principal índice da Bolsa brasileira, o Ibovespa, registrou uma das maiores altas das últimas semanas, subindo 2,44% e fechando aos 177,5 mil pontos. O movimento foi puxado por resultados animadores de grandes empresas.
O dia foi marcado por forte demanda por ações na B3, impulsionada especialmente pelos papéis da Vale e da WEG. Ambas divulgaram dados operacionais e balanços que superaram as expectativas do mercado, gerando um efeito positivo em toda a Bolsa.
O dólar, por sua vez, recuou em meio à valorização das commodities e à melhora do humor dos investidores, mesmo com as incertezas sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
A moeda americana oscilou durante o pregão, mas fechou no menor nível da semana. No exterior, o índice DXY, que acompanha o dólar ante seis moedas fortes, caiu 0,08%, para 101,12 pontos.
Segundo Marcos Bassani, especialista em investimentos da Boa Brasil Capital, os agentes financeiros continuam avaliando os impactos das tarifas norte-americanas anunciadas recentemente. “O dólar oscilou entre altas e baixas, provavelmente devido ao início da taxação imposta pelo governo dos EUA e os investidores assimilando melhor o cenário”, explicou.
Bassani destacou que a alta do petróleo e o diferencial de juros seguem favorecendo o real. O barril do tipo Brent subiu 3,36%, para US$ 94,07, enquanto o WTI avançou 2,95%, a US$ 86,83.
Na Bolsa, o grande destaque foi a Vale. As ações da mineradora subiram 3,96% após a divulgação de dados de produção e vendas do segundo trimestre, que vieram acima do projetado. “O principal gatilho foi a Vale, que ontem à noite publicou um relatório de produção e vendas do segundo trimestre muito superior ao esperado. Isso fez o papel disparar cerca de 3% na abertura”, afirmou Bassani.
A WEG também chamou a atenção. A empresa abriu a temporada de balanços da Bolsa e viu suas ações saltarem 10,05%. O movimento positivo se espalhou por diversos setores: a Petrobras subiu 2,39%, o Bradesco ganhou 2,29%, a Ambev avançou 2,09% e a Braskem valorizou 4,49%.
Com poucas exceções, o pregão foi amplamente favorável, sem quedas significativas entre os papéis mais pesados do índice.
O petróleo também apresentou forte alta, refletindo preocupações com a oferta global devido às tensões geopolíticas no Oriente Médio, o que tem beneficiado empresas do setor de óleo e gás.
Nos Estados Unidos, os índices acionários fecharam perto da estabilidade. O S&P 500 caiu 0,14%, o Dow Jones recuou 0,01% e o Nasdaq 100 perdeu 0,54%. Segundo Bassani, os investidores aguardam os balanços da Alphabet e da Tesla. “Eles estão ansiosos para ver se o investimento bilionário em inteligência artificial realmente gerou retorno”, comentou.
O analista avalia que o cenário ainda é de cautela, apesar do bom desempenho da Bolsa brasileira. “Na minha visão, permanece um ambiente de cautela, que pode mudar com os balanços das gigantes americanas. Também é preciso ficar de olho nas eleições de 2026, que já começam a influenciar o prêmio de risco doméstico”, concluiu Bassani.
Fonte: Metrópoles






























