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ECONOMIAMercados operam estáveis com influência do petróleo e da inflação

Dólar sobe 0,15% e Ibovespa cai 0,05% em dia de baixa volatilidade, com atenções divididas entre Oriente Médio e expectativas de inflação.

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O mercado cambial e a Bolsa de Valores brasileira encerraram a segunda-feira, 29 de junho, com oscilações mínimas, indicando um dia de lateralidade para os investidores. A moeda norte-americana registrou progresso de 0,15% em relação ao real, atingindo a marca de R$ 5,17. Já o Ibovespa, principal índice da B3, recuou 0,05%, fechando em 173,2 mil pontos. Ambos os indicadores mostraram variações modestas, configurando um cenário de estabilidade ao longo do pregão.

Dois fatores principais nortearam o comportamento dos ativos nesta jornada: os desdobramentos do conflito no Oriente Médio e as projeções para a inflação e, consequentemente, para as taxas de juros tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. No fim de semana, novos embates ocorreram entre forças dos EUA e do Irã, evidenciando a fragilidade do cessar-fogo estabelecido há 14 dias. Apesar disso, o acordo bilateral continua em vigor e o fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz — via por onde transita aproximadamente um quinto da produção mundial de petróleo — caminha para a normalidade.

Essa redução das tensões na região de Ormuz tem sido determinante para manter os mercados em um clima de calma relativa. O preço do petróleo oscila conforme os altos e baixos dos confrontos, mas, de modo geral, apresenta tendência de queda. Contudo, nesta segunda-feira, o barril do tipo Brent — referência internacional da commodity — encerrou com elevação de 1,80%, cotado a US$ 73,91. O West Texas Intermediate (WTI), que norteia o comércio nos EUA, subiu 2,20%, para US$ 70,75. Ainda assim, ambos os valores permanecem dentro da faixa de preço observada antes do início do conflito, em 28 de fevereiro.

Com o cenário geopolítico dando sinais de estabilização, ainda que sujeito a sobressaltos, os agentes econômicos voltaram a concentrar suas atenções nas perspectivas para a inflação e os juros, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Por aqui, os investidores acompanharam a divulgação do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Esse indicador mensal capta a variação de preços em diferentes estágios da economia, desde matérias-primas até o consumidor final.

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Em junho, o IGP-M apresentou retração de 0,50%, após ter subido 0,84% em maio. A queda foi mais intensa do que o esperado pelo mercado, cuja mediana das projeções apontava para um recuo de 0,46% no período. Esse resultado surpreendeu positivamente os analistas, que aguardavam um número menos expressivo.

Outro sinal favorável veio do Boletim Focus, que consolida as expectativas de economistas consultados semanalmente pelo Banco Central (BC). Após 15 semanas consecutivas de alta, a projeção para a inflação em 2026 estacionou. A mediana para o IPCA deste ano manteve-se em 5,33% pela segunda semana seguida. A expectativa para a taxa Selic ao final de 2026 também permaneceu em 14%, inalterada pelo segundo período consecutivo.

Para Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, esses números sugerem uma pausa no movimento de deterioração que marcou as estimativas inflacionárias durante o primeiro semestre. Ele ressalta, no entanto, que o quadro continua piorando nos horizontes mais longos. A mediana para 2027 subiu de 4,15% para 4,17%, ante 4,02% há quatro semanas. Já a Selic esperada para 2028 avançou de 10,25% para 10,50%, contra 10,00% também quatro semanas atrás.

No cenário global, as bolsas apresentaram comportamentos divergentes. Na Europa, a maioria dos índices fechou em baixa, com variações modestas. Em Londres, o FTSE 100 recuou 0,23%. Em Frankfurt, o DAX caiu 0,14%, e em Paris, o CAC 40 perdeu 0,21%. Já nos Estados Unidos, os principais índices subiram, impulsionados por ações do setor de tecnologia. Por volta das 16h40, as altas eram de 1,10% para o S&P 500, de 0,58% para o Dow Jones e de 2,00% para o Nasdaq, que concentra justamente as empresas desse segmento.

No mercado de câmbio internacional, o dólar apresentou leve desvalorização. Às 16h30, o índice DXY, que mede a força da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas fortes — como euro, iene e libra esterlina —, registrava queda de 0,26%, aos 101,10 pontos. Essa movimentação reflete a percepção de que os riscos geopolíticos e inflacionários seguem no radar dos investidores, mas sem provocar grandes rupturas.

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O comportamento dos ativos nesta segunda-feira reforça a ideia de que os mercados operam em compasso de espera, aguardando novos catalisadores. A combinação de petróleo em patamares controlados, inflação sob vigilância e juros estáveis tem proporcionado um ambiente de baixa volatilidade. Contudo, analistas alertam que qualquer escalada no conflito do Oriente Médio ou surpresas nos indicadores de preços podem reverter rapidamente esse cenário.

No Brasil, a atenção dos investidores também se volta para a agenda política e fiscal, que pode influenciar as expectativas de inflação e juros nos próximos meses. Apesar dos sinais pontuais de alívio, como o IGP-M abaixo do esperado e a estabilização do Focus, o quadro de longo prazo ainda inspira cautela. As projeções para 2027 e 2028 mostram piora, indicando que o mercado não descarta pressões inflacionárias persistentes.

Diante desse contexto, a sessão de hoje foi marcada por ajustes técnicos, com o dólar e a Bolsa andando de lado. O movimento reflete a ausência de notícias capazes de romper a tendência recente, que alterna entre otimismo moderado e preocupação latente. Até que novos dados ou eventos tragam clareza, a tendência é que os mercados continuem nesse compasso, com pequenas oscilações determinadas pelo noticiário de curto prazo.

Em resumo, a segunda-feira foi de relativa tranquilidade para os ativos brasileiros, com o petróleo em alta moderada e as expectativas de inflação mostrando sinais mistos. O dólar e o Ibovespa praticamente não saíram do lugar, enquanto os índices americanos surfaram no desempenho das ações de tecnologia. O mercado global segue atento aos próximos passos do Fed e do BC brasileiro, além das tensões geopolíticas que continuam no radar.

Fonte: Metrópoles

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