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PROPOSTABocalom propõe videomonitoramento com IA nos 22 municípios e promete tirar Acre do ‘atoleiro’

Candidato ao governo do Acre, Tião Bocalom (PSDB) defende o modelo ‘Produzir para Empregar’ e planeja usar inteligência artificial no monitoramento de estradas.

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Em entrevista exclusiva ao portal Agazeta.net, o candidato ao governo do Acre, Tião Bocalom (PSDB), afirmou que sua decisão de deixar a Prefeitura de Rio Branco foi motivada pela necessidade de o estado ter um gestor experiente para reorganizar a economia, recuperar a estrutura pública e superar o que ele classifica como um ‘atoleiro’.

Bocalom declarou que o Acre precisa de alguém com pulso e conhecimento em gestão pública, e que se considera a pessoa preparada para recuperar o estado. Ele ressaltou que sua experiência administrativa é um diferencial para enfrentar os desafios atuais.

O ex-prefeito reafirmou que o desenvolvimento econômico será o eixo central de seu plano de governo. Segundo ele, áreas como saúde, segurança, assistência social e infraestrutura dependem diretamente de uma economia fortalecida.

Ele explicou que não é possível priorizar apenas três setores, pois todos dependem de uma base econômica sólida. Para Bocalom, sem uma economia robusta, não há como melhorar os serviços essenciais.

O candidato defendeu que o Acre precisa impulsionar o setor produtivo, com ênfase na agricultura familiar e na agropecuária, para gerar renda no campo e movimentar as cidades. Ele acredita que cidade pobre é consequência de campo pobre.

Bocalom citou como principal projeto o ‘Produzir para Empregar’, que visa fortalecer o campo para multiplicar a riqueza e, assim, beneficiar toda a população. Ele disse que esse é o ponto número um de sua proposta.

Durante a entrevista, Bocalom relembrou sua trajetória pessoal. Nascido em Bela Vista do Paraíso, no Paraná, mudou-se ainda criança para São Tomé, no noroeste do estado. Começou a trabalhar aos seis anos, ajudando a mãe como boia-fria em lavouras de café, algodão e feijão.

Ele contou que acordava às quatro da manhã e que essa rotina lhe trouxe facilidade para acordar cedo até hoje. Aos 16 anos, começou a dar aulas no Mobral e depois se tornou professor efetivo no Paraná.

Formou-se em Matemática e em Ciências Físicas e Biológicas. Já casado, atuou como empresário no comércio de materiais de construção, produtos agrícolas e máquinas.

Bocalom chegou ao Acre em 1986. No ano seguinte, mudou-se para a região onde montaria uma serraria e iniciaria a história que, segundo ele, ajudou a formar Acrelândia.

Ele recordou que, quando chegou, havia apenas cinco famílias. Com a serraria, a vila cresceu e deu origem ao município. Bocalom foi o primeiro prefeito de Acrelândia e comandou a cidade por três mandatos.

Ele trata Acrelândia como um laboratório de gestão. Segundo ele, a experiência consolidou a defesa de um modelo baseado na produção rural.

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Bocalom afirmou que Acrelândia foi a cidade que sonhou e desenhou. Quando chegou, havia duas ruazinhas; ele planejou toda a cidade, que é a única planejada do estado.

Ele também se orgulha de projetos na educação rural, como o transporte escolar e a criação de uma escola rural centralizada. A iniciativa permitiu que filhos de seringueiros continuassem estudando e que pais voltassem à sala de aula.

Para Bocalom, Acrelândia se tornou referência por apostar na produção agrícola e na geração de renda. Ele citou café, banana, leite e melancia como destaques.

Sobre sua trajetória política, Bocalom lembrou que sua primeira candidatura ao governo foi em 2006, quando foi chamado pelo PSDB para dar palanque a Geraldo Alckmin. Ele achava que teria 3% a 5% dos votos, mas obteve quase 12%.

Esse resultado abriu caminho para novas disputas. Em 2008, concorreu à Prefeitura de Rio Branco. Em 2010, disputou o governo e diz que quase venceu Tião Viana, perdendo por meio por cento.

Após um período fora do Acre para cuidar da esposa, Bocalom retornou em 2019, chamado pelo então governador Gladson Cameli para trabalhar no Imac. No ano seguinte, venceu a eleição para prefeito de Rio Branco.

Na gestão da capital, Bocalom afirmou que realizou obras de grande porte com recursos próprios, como viadutos, intervenções no Mercado Elias Mansour, programa habitacional, compra de máquinas e investimentos no Saerb.

Ele disse que quebrou o paradigma de que a prefeitura não tinha dinheiro para contrapartidas e passou a executar grandes obras. Também concedeu o maior aumento salarial da história do município e reorganizou a Emurb.

Segundo ele, a Emurb estava falida quando assumiu, mas hoje tem máquinas novas, usina de asfalto nova e é uma empresa saudável. Foram compradas 85 máquinas.

Bocalom citou ainda investimentos de mais de R$ 200 milhões em recursos próprios no Saerb. Ele admitiu que a água ainda não está ideal, mas melhorou e a empresa já não está quebrada.

Para ele, essas ações o credenciam a disputar o governo. A população reconheceu seu preparo, segundo ele.

Bocalom criticou o modelo de desenvolvimento adotado no Acre nas últimas décadas. Ele afirmou que o estado tem potencial agrícola e pecuário, mas continua entre os mais pobres do Brasil.

Ele pretende recuperar estruturas como a Emater e a Cageacre para fortalecer a produção local e reduzir a dependência de produtos de outros estados.

Bocalom citou que só de arroz entram três carretas por dia em Rio Branco, e que tudo isso poderia ser produzido no Acre.

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Ele defende que o estado siga exemplos como Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Rondônia, que cresceram com o setor agropecuário. Disse que não está inventando nada, apenas copiando o que deu certo.

Na saúde, Bocalom afirmou que o Acre não pode continuar com pacientes esperando meses ou anos por exames e cirurgias. Ele considerou inaceitável que pessoas morram esperando autorização.

Na segurança, defendeu melhores condições de trabalho para os policiais e disse que é preciso discutir mudanças legais e estruturais. Questionou como um policial pode estar pronto sem treinamento por falta de munição.

Bocalom também defendeu a ligação terrestre de municípios isolados, como Santa Rosa do Purus, Jordão, Marechal Thaumaturgo e Porto Walter. Para ele, o isolamento eleva o custo de vida.

Ele exemplificou que um saco de cimento em Santa Rosa custa R$ 250, um botijão de gás R$ 250, e o arroz custa o dobro. A solução, segundo ele, é fazer estradas.

Sobre a formação de equipe, Bocalom disse que priorizará nomes técnicos, sem ignorar a política, mas sem sobrepor esta àquela. Ele pretende aproveitar todos os bons técnicos.

Ele reafirmou que só executa serviços com dinheiro em caixa, para garantir o pagamento dos trabalhadores. Disse que fez isso em Acrelândia e em Rio Branco e fará como governador.

Bocalom também afirmou que combaterá as ‘panelinhas’ na gestão pública e que é preciso cuidar bem do dinheiro público, pois isso melhora saúde, educação, infraestrutura e segurança.

Ao longo da entrevista, Bocalom repetiu que o Acre precisa ‘sair do atoleiro’ e voltar a crescer. Ele acredita que a combinação de produção, gestão técnica e controle do dinheiro público pode mudar a realidade econômica.

Ele se comprometeu a tirar o estado do atoleiro nos próximos oito anos e disse que resolverá boa parte dos problemas, assim como fez em Acrelândia e Rio Branco.

Por fim, perguntado sobre um livro que indicaria, Bocalom respondeu diretamente: a Bíblia. Questionado sobre um trecho específico, citou os Dez Mandamentos.

Entre as propostas de seu plano de governo, Bocalom prevê o uso de inteligência artificial para auxiliar no monitoramento e na manutenção das estradas do Acre, combinando imagens de drones, dados de tráfego e informações sobre as rotas de escoamento da produção.

O documento também reúne propostas para segurança, saúde, educação, produção e infraestrutura. A íntegra do plano de governo de Tião Bocalom para 2027 a 2030 está disponível para consulta.

Fonte: A Gazeta (Acre)

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