Uma crise que começa institucional e termina em desgaste eleitoral tende a esgotar a paciência dos aliados. É essa leitura que circula nos bastidores do Planalto e que, segundo Lauro Jardim, de O GLOBO, levou membros da campanha de Lula a sugerirem que o presidente “solte a mão” do ministro Alexandre de Moraes diante das revelações sobre sua relação com Daniel Vorcaro, do Banco Master.
A avaliação é de que Lula precisa se posicionar publicamente “até por uma questão de sobrevivência”. A frase soa dura, mas traduz a lógica que orienta o poder em Brasília: quando a proximidade deixa de ser ativo e vira passivo, a solidariedade perde força. No caso, o aliado em questão é um dos ministros mais poderosos do STF, mas sua atuação recente colocou em risco algo que o governo não pode ignorar — a narrativa construída em torno da própria reputação.
Há uma ironia nessa história. Moraes foi tratado por setores da esquerda como símbolo de resistência institucional nos últimos anos. Agora, diante de um caso que pode contaminar reputações, a pergunta muda de direção: quem pode se dar ao luxo de manter alianças quando o preço é a exposição? A resposta, no Planalto, parece cada vez mais pragmática.
Lula, segundo a coluna, já teria alertado Moraes meses atrás para que não permitisse que o caso Vorcaro comprometesse sua biografia. Depois, consultou Gilmar Mendes e Flávio Dino, que não pretendem confrontá-lo. O silêncio desses nomes, porém, não significa apoio incondicional — indica, na verdade, que cada um está calculando o próprio risco.
O dilema é clássico: preservar alianças ou preservar a própria sobrevivência política. Se o desgaste seguir avançando, a decisão de Lula não será necessariamente sobre abandonar Moraes. Será sobre perceber, antes dos demais, quem já está afundando e quem ainda tem condições de nadar. A política, em Brasília, raramente perdoa os que chegam tarde a essa conclusão.
Fonte: O Globo




























