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ESTICANDO A CORDALula concede promoção a militar brasileiro morto na Guerra do Paraguai

Decreto promove postumamente o brigadeiro Antônio de Sampaio a marechal, em meio a crise diplomática com o Paraguai.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um decreto, publicado no Diário Oficial da União, que concede uma promoção honorífica e póstuma ao militar cearense Antônio de Sampaio (1810-1866). A partir de agora, ele será referido como marechal. Sampaio faleceu durante a Guerra do Paraguai, onde atuou como um dos principais comandantes das forças brasileiras.

A medida foi oficializada num momento de tensão nas relações diplomáticas entre Brasil e Paraguai. Na quarta-feira (29), o Congresso paraguaio aprovou uma moção de repúdio ao discurso de Lula durante a cerimônia de retomada das atividades da Avibras Indústria Aeroespacial. Na ocasião, ao recordar o conflito, o chefe de Estado brasileiro declarou que o “Paraguai resolveu invadir o Brasil”.

No dia seguinte, 30, o governo paraguaio convocou o embaixador brasileiro em Assunção, José Antonio Marcondes, para entregar uma nota de repúdio que inclui a manifestação do Legislativo daquele país. O documento também pede esclarecimentos sobre as declarações do presidente e reivindica a devolução dos chamados “troféus de guerra” que teriam sido levados pelo Exército brasileiro ao fim do conflito.

Antônio de Sampaio iniciou sua carreira militar em 1830, quando tinha 20 anos, e participou de diversos conflitos importantes do período imperial. Entre eles, destacam-se a Guerra dos Farrapos (1835-1845), no Rio Grande do Sul, e a Guerra contra Oribe e Rosas (1851-1852), ocorrida no Uruguai e na Argentina.

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Em 1865, durante a Guerra do Paraguai, Sampaio foi promovido a general-brigadeiro, patente que corresponderia hoje ao posto de general de brigada. Na mesma ocasião, assumiu o comando da recém-criada Divisão Encouraçada, uma das unidades mais importantes do Exército brasileiro na campanha.

No ano seguinte, ele esteve na Batalha de Tuiuti, considerada a mais sangrenta da história da América do Sul. Durante o combate, Sampaio foi atingido três vezes por estilhaços de granada e ficou gravemente ferido. Ele morreu 43 dias depois, a bordo de um navio-hospital. Em reconhecimento à sua trajetória, foi consagrado patrono da Arma de Infantaria do Exército Brasileiro.

O atual impasse diplomático com o Paraguai está ligado a interpretações históricas divergentes sobre a origem e as responsabilidades da guerra. O discurso de Lula reforçou a versão brasileira, segundo a qual o conflito foi iniciado por uma ação do governo paraguaio. A Guerra do Paraguai, também chamada de “Guerra da Tríplice Aliança”, é considerada o maior confronto internacional da história sul-americana.

O conflito, que se estendeu de 1864 a 1870, segue sendo um dos episódios mais dolorosos para a memória do povo paraguaio. As disputas envolviam questões políticas e territoriais relacionadas ao controle da Bacia do Rio da Prata. Os números de mortos são alarmantes: aproximadamente 100 mil brasileiros perderam a vida, e as estimativas para o lado paraguaio chegam a cerca de 300 mil óbitos, com um impacto demográfico severo, principalmente sobre a população masculina.

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Para a historiografia tradicional brasileira, o início da guerra ocorreu em novembro de 1864, quando forças paraguaias capturaram o presidente da província de Mato Grosso e atacaram a região fronteiriça. Nesta leitura, a culpa inicial é atribuída ao Paraguai, que estaria seguindo uma política externa expansionista. Já a visão paraguaia sustenta que o conflito começou antes, em agosto de 1864, com a intervenção militar do Brasil no Uruguai. O governo paraguaio apoiava uma das facções na guerra civil uruguaia e considerou a ação brasileira uma ameaça ao equilíbrio regional e uma imposição imperialista.

Fonte: O Sul

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