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COMIDA NA MESAPreço do arroz sobe 17% em julho e setor aguarda efeitos da AGF

Cotações do cereal recuperam fôlego com redução de estoques, mas indefinições sobre compras públicas geram cautela.

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O mercado brasileiro de arroz registrou forte valorização em julho, com as cotações subindo de forma expressiva nas principais praças do país. O movimento ocorre em um momento em que compradores encontram mais dificuldade para localizar produto disponível, enquanto a cadeia produtiva acompanha com atenção os desdobramentos da nova rodada de Aquisições do Governo Federal (AGF).

Apesar da liquidez ainda moderada e de um ritmo de negócios aquém do esperado, o cenário indica uma mudança de postura dos agentes, com redução gradual dos excedentes de oferta e uma trajetória mais firme nos preços. A avaliação é do analista Evandro Oliveira, da Safras & Mercado, que observa um mercado mais seletivo.

O alto volume excedente acumulado nas temporadas anteriores começa a perder intensidade, o que abre espaço para a recomposição dos valores pagos ao produtor. “O mercado passa por um ajuste progressivo entre oferta e demanda, mas ainda há fatores capazes de influenciar o comportamento das cotações nas próximas semanas”, afirma Oliveira.

Entre esses fatores está o anúncio do governo federal de adquirir 310 mil toneladas de arroz por meio da AGF. A medida foi comunicada justamente quando os preços mostravam sinais de recuperação, gerando novas incertezas no setor. A compra integra a Política de Garantia de Preços Mínimos e busca recompor os estoques públicos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), além de reduzir riscos de abastecimento diante das variações climáticas.

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A iniciativa foi recebida como um mecanismo de sustentação de mercado, mas agentes da cadeia produtiva seguem cautelosos. Ainda faltam informações operacionais consideradas essenciais, como as variedades de arroz que serão adquiridas, os padrões de qualidade exigidos, o cronograma de execução, a velocidade das operações, os critérios de habilitação e o preço mínimo de referência.

Há dúvidas se as compras considerarão o valor mínimo da safra atual, fixado em R$ 63,74 por saca de 50 quilos, ou o montante já atualizado para a próxima temporada, de R$ 68,07. Oliveira ressalta que essa indefinição pode estimular a retenção de estoques pelos produtores, reduzindo ainda mais a oferta imediata no mercado interno.

O comportamento das exportações também segue como ponto central para o equilíbrio do setor. Para os participantes da cadeia, o avanço dos embarques é decisivo para acelerar o escoamento dos estoques, aliviar a pressão da oferta e consolidar a recuperação dos preços. “O desempenho exportador será um dos principais indicadores para determinar o balanço entre oferta e demanda nos próximos meses”, observa o analista.

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O efeito positivo já aparece nos indicadores. O Indicador Safras do arroz em casca no Rio Grande do Sul, para produto com 58% a 62% de grãos inteiros e pagamento à vista, encerrou o dia 30 de julho em R$ 70,19 por saca de 50 quilos.

O valor representa alta de 4,17% na comparação semanal, avanço de 17,37% frente ao mês anterior e valorização de 1,43% quando comparado ao mesmo período do ano passado.

Com a proximidade da nova safra e a expectativa em torno da execução das compras governamentais, o mercado de arroz ingressa em uma etapa de acompanhamento mais estreito por parte dos agentes.

A definição dos detalhes da AGF, o ritmo das exportações e a disponibilidade física do cereal serão determinantes para indicar se a alta das cotações terá continuidade ou se novos ajustes ocorrerão no mercado doméstico.

Especialistas ponderam que a recuperação dos preços depende de uma combinação de fatores, incluindo o andamento do clima nas regiões produtoras e a eficiência na logística de distribuição. A atenção do setor segue voltada para os próximos anúncios oficiais, que podem trazer mais clareza sobre os rumos do segmento.

Fonte: Portal do Agronegócio

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