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RADICALISMO DEFENDIDO POR LULAOrtega anuncia fim das eleições na Nicarágua para impedir oposição no poder

Daniel Ortega declarou que não haverá mais eleições no país, durante discurso na comemoração da Revolução Sandinista.

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O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, afirmou no último domingo (19/07) que o país não realizará mais eleições, como forma de impedir que a oposição assuma o governo. A declaração foi feita durante as celebrações da Revolução Sandinista de 1979, na capital Manágua.

“Não haverá mais eleições aqui para que eles [a oposição] tentem tomar o governo e o poder”, disse Ortega em discurso na Praça da Fé, para milhares de apoiadores. A informação foi divulgada pela agência Reuters e pelo jornal local La Prensa, além do veículo independente Confidencial 30.

Ortega não detalhou como a proibição será implementada, mas afirmou que “os dias em que partidos apoiados pelos ianques [Estados Unidos] e pelos somosistas voltariam ao poder acabaram. Nunca mais”. Esta foi a primeira aparição pública do presidente em dois meses.

No poder desde 2007, Ortega liderou o país anteriormente entre 1985 e 1990. A última eleição presidencial, em novembro de 2021, foi amplamente contestada, com a prisão de todos os principais candidatos da oposição. Estados Unidos, União Europeia, Canadá e Costa Rica classificaram o processo como “ilegítimo”.

Em 2024, Ortega propôs mudanças constitucionais para concentrar poder em suas mãos e na de sua esposa, Rosario Murillo, sobre os três Poderes. O governo consolidou sua guinada autoritária a partir de 2018, quando protestos contra reformas previdenciárias foram duramente reprimidos, com participação de paramilitares, segundo a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

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Ortega é o governante há mais tempo no poder na América Latina, atrás apenas de Fidel Castro (Cuba), Porfirio Díaz (México), Alfredo Stroessner (Paraguai) e Rafael Leónidas Trujillo (República Dominicana).

O jornalista Fabián Medina, autor do livro “El prisionero 198”, destaca que Ortega se tornou o candidato único da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) nos últimos 37 anos, eliminando dissidências internas. Ele foi eleito coordenador do Conselho de Administração em 1981 e presidente em 1984, perdendo o cargo em 1990, mas retornando em 2007.

O retorno ao poder em 2006 ocorreu graças a um pacto com o ex-presidente Arnoldo Alemán, que reduziu o limite mínimo de votos para eleição de 45% para 35% no primeiro turno. Em 2009, a Suprema Corte declarou inaplicável o artigo constitucional que proibia a reeleição, permitindo a candidatura de Ortega em 2011. Em 2013, uma reforma constitucional aprovada pelo parlamento sandinista permitiu a reeleição por tempo indeterminado, a eleição em primeiro turno por maioria simples e a emissão de decretos com força de lei.

Em 2020, a OEA deu prazo para reformas eleitorais que garantissem eleições livres, mas o governo aprovou mudanças que mantiveram o controle do Conselho Superior Eleitoral, anularam a observação independente e proibiram o financiamento de candidatos. A Lei de Defesa dos Direitos dos Povos à Independência permitiu barrar candidaturas de envolvidos nos protestos de 2018.

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Em junho de 2021, sete candidatos da oposição foram presos, incluindo Cristiana Chamorro Barrios, sob acusações de “administração abusiva” e “lavagem de ativos”. Ortega justificou as prisões como combate a “criminosos que atacaram o país”. Pesquisa do CID-Gallup em setembro de 2021 indicou que 65% dos entrevistados votariam em qualquer candidato opositor detido.

Ortega, que se autodenomina “socialista” e “cristão”, mantém discurso anti-imperialista, mas os EUA são seu maior parceiro comercial. Até 2018, mantinha boas relações com o empresariado, mas a adesão dos empresários aos protestos levou a uma ruptura e à queda do PIB por três anos consecutivos. Em 2021, quatro líderes empresariais foram presos sob acusações de “conspiração” e “terrorismo”.

O analista político Eliseo Núñez afirma que Ortega “abraçou o marxismo como padrão de luta”, mas “é o melhor aluno do FMI” e pratica o neoliberalismo que critica. A concentração de poder, segundo a CIDH, visa “a perpetuação no poder indefinidamente e a manutenção de privilégios e imunidades”.

Fonte: G1

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