O Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) promoveu, na sexta-feira, 10, um casamento coletivo que reuniu 32 pessoas, entre indígenas das etnias Yawanawa e Noki Koi e ribeirinhos, na aldeia Yawatxivã, localizada no Rio Gregório, em Tarauacá. A solenidade fez parte do Projeto Cidadão, ação itinerante do Judiciário estadual que leva serviços de cidadania a comunidades isoladas.
A cerimônia foi conduzida pelo juiz substituto Ricardo Cavalli e teve início com a canção Yawanawa Wakomaya, executada pelo músico Yawakashahu acompanhado por mulheres da etnia. Segundo ele, a música é um canto de alegria, amor e partilha, utilizado para iniciar e finalizar trabalhos comunitários. Os 16 casais, oriundos de diferentes pontos do rio, oficializaram suas uniões perante a comunidade, que desde quinta-feira, 9, recebia atendimentos da ação coordenada pelo TJAC.
Entre os participantes, Maria Dacisete Mendes de Araújo, de 69 anos, e Sebastião da Silva, de 73 anos, realizaram o sonho de casar de vestido branco e véu. O vestido foi doado e ajustado na véspera da celebração. O casal, que completa 50 anos de união em 23 de abril do próximo ano, teve cinco filhos — três deles também oficializaram suas uniões no mesmo dia. Maria Dacisete, uma das moradoras mais antigas da região, destacou a emoção de se casar na aldeia onde seus filhos nasceram. O casal se conheceu na infância, no Seringal Alagoas, no Rio Tarauacá, e está junto desde que ela se mudou para o Rio Gregório aos 13 anos.
Outro casal presente foi Marcílio Yawanawa, de 22 anos, e Girlene Yawanawa, de 33 anos, que se conheceram há cinco anos durante um trabalho espiritual com medicina da floresta. O irmão de Marcílio, Cláudio Yawanawa, de 35 anos, também oficializou a união com Ivanete Yawanawa, de 31 anos, irmã de Girlene. O casal está junto há 16 anos e tem quatro filhos. Para Ivanete, a oportunidade do casamento coletivo foi obra do destino, já que tentativas anteriores de registro em cartório na cidade não haviam sido bem-sucedidas.
O projeto contou com a parceria de diversas instituições, incluindo a Defensoria Pública do Estado do Acre, Ministério Público do Acre, Ministério Público Federal, Tribunal Regional do Trabalho da 14ª Região, Tribunal Regional Federal da 1ª Região, Instituto de Identificação da Polícia Civil do Acre, Assembleia Legislativa do Acre, INSS, Funai, Receita Federal, Incra, além da Câmara Municipal e Prefeitura de Tarauacá. O juiz Ricardo Cavalli ressaltou que a itinerância aproxima a justiça das pessoas e que o Projeto Cidadão já transformou milhares de vidas, garantindo registros civis, documentos e direitos a comunidades ribeirinhas e indígenas.
Fonte: TJ Acre



























