O transporte de cargas tornou-se um dos maiores custos na cadeia produtiva do agronegócio brasileiro. De acordo com um levantamento do ESALQ-LOG, da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o frete pode corresponder de 30% a 40% do valor final de commodities agrícolas. O dado evidencia a relevância crescente da logística em um setor que movimenta mais de 1 bilhão de toneladas de cargas por ano, incluindo grãos, celulose, cana-de-açúcar, fertilizantes e insumos.
Nesse contexto, a eficiência logística deixou de ser apenas uma questão operacional para se tornar um fator determinante de competitividade. Com a expansão da produção agropecuária superando o desenvolvimento da infraestrutura nacional, gargalos no transporte e custos elevados pressionam produtores e embarcadores a buscar soluções mais eficientes. A dependência do modal rodoviário e as longas distâncias até portos e centros consumidores ampliam os desafios.
Diante desse cenário, empresas do agronegócio e operadores logísticos têm intensificado investimentos em tecnologias de inteligência logística, focadas em rastreamento, automação e análise de dados em tempo real. As soluções abrangem monitoramento de veículos, cargas, motoristas e rotas, além de sistemas capazes de identificar riscos operacionais antes que gerem impacto financeiro ou atrasos na cadeia de suprimentos.
O CEO da Maxtrack, empresa especializada em inteligência logística, Braulio de Carvalho, afirma que o setor vive uma mudança estrutural na forma de enxergar eficiência e segurança. “Historicamente, muitas empresas viam segurança como custo e eficiência como resultado operacional separado. Hoje está claro que operações seguras são também mais eficientes, pois evitam perdas, acidentes e interrupções que afetam diretamente os custos e a produtividade”, diz.
Segundo o executivo, o avanço da conectividade, telemetria e inteligência artificial ampliou a capacidade de gestão das operações logísticas. “O embarcador deixou de buscar apenas rastreamento; busca previsibilidade, entender se a operação está conforme o planejado e identificar gargalos antes que gerem prejuízos. Isso muda completamente a gestão da logística”, explica.
A incorporação de sistemas analíticos e ferramentas preditivas permite que decisões sejam tomadas com base em dados em tempo real, reduzindo incertezas e aumentando a eficiência. Entre os segmentos do agronegócio, o setor de celulose e operações florestais está entre os mais avançados na adoção dessas soluções, devido à necessidade de transportar grandes volumes em regiões remotas, com baixa infraestrutura e conectividade limitada.
Carvalho destaca a convergência entre segurança e eficiência operacional: “Os mesmos dados usados para prevenir acidentes e proteger cargas também ajudam a otimizar rotas, reduzir desperdícios e melhorar a produtividade. Essa integração está se tornando padrão nas cadeias logísticas do agronegócio”.
Além da telemetria avançada, soluções baseadas em inteligência artificial já permitem identificar comportamentos de risco, analisar imagens automaticamente, gerar alertas preventivos e apoiar decisões mesmo em áreas com baixa cobertura de rede. Com isso, a logística assume um papel ainda mais estratégico na competitividade do agro brasileiro.
A capacidade de transformar dados em decisões rápidas e assertivas se torna um diferencial importante. “Em um cenário de margens pressionadas e custos elevados, a tecnologia deixa de ser diferencial e passa a ser requisito básico para gestão eficiente da cadeia logística”, conclui o executivo.
Fonte: Portal do Agronegócio


























