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ELEIÇÕES COLOMBIANAS

Petro questiona apuração na Colômbia e reacende debate sobre “dois pesos e duas medidas”

Quando a contestação eleitoral parte da esquerda, a reação pública é a mesma? O episódio colombiano recoloca uma pergunta incômoda sobre coerência democrática.
Presidente comunista da Colômbia, Gustavo Petro, questiona resultados das urnas: Pode isso Arnaldo?. Foto: montagem reprodução internet.

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A política latino-americana voltou a oferecer um daqueles episódios que obrigam observadores, imprensa e atores institucionais a encararem uma pergunta desconfortável: os critérios usados para avaliar questionamentos eleitorais são os mesmos para todos?

Após o primeiro turno das eleições presidenciais da Colômbia, o presidente Gustavo Petro declarou não reconhecer plenamente os resultados preliminares da apuração, alegando possíveis inconsistências no sistema, alterações técnicas e dúvidas sobre registros eleitorais. O candidato apoiado pelo governo também demonstrou reservas em relação ao processo de contagem.

O fato político é relevante por si só. Mas ele ganha uma dimensão ainda maior quando comparado ao debate recente em outros países da América Latina — especialmente no Brasil.

Nos últimos anos, qualquer questionamento sobre urnas eletrônicas, auditorias, transparência do processo eleitoral ou mecanismos de conferência dos votos foi frequentemente tratado como tema interditado no debate público brasileiro. Para parte significativa da imprensa e do establishment político, simplesmente levantar dúvidas ou defender verificações adicionais tornou-se algo automaticamente associado a radicalismo, golpismo ou negacionismo institucional.

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Mas eis a pergunta inevitável: quando a dúvida surge do campo ideológico oposto, a régua permanece a mesma?

Se questionar resultados eleitorais é algo inadmissível porque colocaria em risco a confiança democrática, então esse princípio deveria valer universalmente — independentemente de quem ocupa o poder ou de qual espectro ideológico esteja falando.

Por outro lado, se dúvidas sobre procedimentos, sistemas e contagens são aceitáveis dentro do jogo democrático, então talvez seja preciso admitir que o debate não pode ser seletivo nem condicionado à conveniência política do momento.

É justamente aí que reside o desconforto do episódio colombiano.

Afinal, muitos dos mesmos setores políticos e midiáticos que costumam reagir com severidade a qualquer questionamento eleitoral em determinados contextos agora parecem tratar as falas de Petro com maior tolerância ou cautela. Para críticos desse comportamento, isso revela um possível duplo padrão: um critério para adversários ideológicos e outro para aliados circunstanciais.

A democracia exige coerência. Regras institucionais não podem mudar conforme a cor partidária do governante, nem conforme o lado do espectro político que se beneficia do resultado.

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Questionar uma eleição sem provas robustas pode ser irresponsável. Mas transformar o debate sobre transparência em tabu absoluto também empobrece o ambiente democrático. O que não parece razoável é aplicar critérios distintos dependendo de quem fala.

E aqui cabe uma adaptação inevitável do bordão que marcou gerações nas transmissões esportivas brasileiras: “Pode isso, Arnaldo?”

Porque, no fim das contas, a pergunta central continua ecoando: quando o interesse é da extrema esquerda, questionar urnas e contagem eletrônica passa a ser aceitável?

Em democracia, coerência institucional importa. Afinal, como diz a sabedoria popular, pau que dá em Chico, dá em Francisco.

Redação Portal Acre Conservador

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