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📡 UM DILEMA EM TANTO!

Câmara aprova PL que permite redes de rádios e TVs

A revogação de norma de 1967 traz debate sobre pluralidade de vozes e controle estatal da mídia
O futuro da radiodifusão em debate no Senado. Projeto prevê a possibilidade de formação de redes de concessionárias. Foto: reprodução internet.

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A Comissão de Comunicação da Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (2), o Projeto de Lei 6106/23 — originário do Senado — que autoriza a formação de redes de concessionárias de rádio e TV. A proposta revoga dispositivo do Decreto‑Lei 236/67, atualmente vedado, que impedia que diferentes outorgas fossem agrupadas sob uma mesma rede.

O relator da proposta, deputado Silas Câmara (Republicanos-AM), defendeu a medida afirmando que a “realidade atual dos meios de comunicação torna imperiosa a revisão do normativo vigente”.

Já o autor do projeto, senador Esperidião Amin (PP-SC), argumentou que o contexto mudou e que a restrição já não se justifica diante do crescimento das plataformas de streaming, redes sociais e consumo individualizado de conteúdo.

Com a aprovação, o PL segue para análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania — e, se confirmado, precisará passar pelo plenário da Câmara.

🔄 O que muda com o PL 6106/23

Fica permitida a formação de “redes” ou associações entre concessionárias de rádio e televisão, unificando direção e programação entre diferentes outorgas.

A medida revoga o § 7º do art. 12 do Decreto-Lei 236/67, que impunha a proibição.

Combinado com outra mudança já sancionada — o Lei 15.182/2025 (que implementou alterações ao Código Brasileiro de Telecomunicações) — o novo marco legal da radiodifusão passa a permitir maior flexibilização da estrutura empresarial do setor.

Segundo o governo e os defensores da proposta, a revisão buscaria modernizar a legislação, fazer com que regras arcaicas se ajustem à nova realidade tecnológica e à competição com plataformas de internet e streaming.

⚠️ Riscos à pluralidade de vozes e independência editorial

Apesar dos argumentos oficiais, a proposta levanta preocupações legítimas — especialmente para quem valoriza a liberdade de expressão, diversidade regional e independência editorial:

A formação de redes pode levar à concentração da mídia — com poucas empresas controlando múltiplas emissoras em diferentes regiões. Isso tende a diminuir a diversidade de opiniões e a pluralidade de vozes.

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Mesmo que a Constituição Federal proíba monopólios e oligopólios em comunicação, a regulação e fiscalização no Brasil historicamente são frágeis — o que, na prática, pode permitir que grandes grupos dominem o mercado. Isso contraria o ideal conservador de descentralização de poder e valorização das instituições locais.

A centralização de programação pode significar que pautas e narrativas locais (como as do interior, das regiões Norte e Nordeste, do agronegócio, das pequenas cidades) sejam substituídas por conteúdo padronizado, neutralizando as diferenças regionais e culturais. Para estados como o Acre e regiões isoladas, isso representa risco direto à pluralidade informativa.

A uniformização da radiodifusão pode transformar veículos de comunicação — que muitas vezes atuam como contrapeso político e social — em plataformas homogêneas, alinhadas a interesses concentrados de poucos. Isso fragiliza a tradição democrática de imprensa livre, diversificada e crítica.

🗣️ A análise conservadora: liberdade econômica ≠ concentração arbitrária

Para um portal alinhado ao pensamento conservador, há um equilíbrio delicado a ser observado:

✅ Modernização e desburocratização da radiodifusão: A legislação de 1967 já não corresponde à realidade tecnológica e ao novo ecossistema de mídia; flexibilizar regras pode estimular investimentos, ampliar oferta de rádios e TVs — inclusive no interior — e gerar pluralidade de conteúdo através da iniciativa privada. A recente Lei 15.182/2025 já caminhou nessa direção, por exemplo permitindo que emissoras atuem como sociedades unipessoais.

❗ Mas sem blindar a concentração de poder midiático. A mera revogação de barreiras administrativas não garante pluralidade real — sobretudo se grandes grupos empresariais acabarem dominando o mercado e uniformizando a programação. A liberdade econômica deve andar acompanhada de regras que assegurem diversidade regional, transparência na propriedade e proteção a pequenas emissoras independentes.

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Um país como o Brasil, com suas vastas desigualdades regionais, diversidade cultural e realidades distintas entre Norte/Nordeste e Sul/Sudeste — como o Acre — não pode aceitar um modelo de radiodifusão que centralize voz, controle narrativas e elimine pluralidade local em nome de “eficiência de mercado”.

📌 O que observar nos próximos dias

A tramitação do PL nas comissões restantes — especialmente na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania e no plenário da Câmara.

Propostas de emendas que busquem garantir mecanismos de proteção à pluralidade, como cotas para emissoras regionais, limites de outorgas por empresa por estado, transparência da propriedade e incentivo a rádios comunitárias.

Monitoramento da reação da sociedade civil, associações de radiodifusão regionais, defensores da liberdade de imprensa e especialistas em telecomunicações — tema que deve gerar intenso debate público.

A eventual sanção presidencial e as regras que o governo e o regulador definirem para implementar a nova norma.

📰 A aprovação do PL 6106/23 representa um marco na tentativa de modernização da radiodifusão no Brasil — algo necessário, dado o avanço tecnológico e a concorrência com mídias digitais. Contudo, a liberalização expressa na legislação traz consigo o risco concreto de concentração de poder midiático, especialmente se não houver salvaguardas para garantir pluralidade, diversidade regional e independência editorial.

Para o Brasil e para regiões como o Acre, o ideal conservador é claro: liberdade econômica, sim — mas sem entregar a voz das comunidades a grandes conglomerados e sem abandonar o compromisso com os valores locais, a descentralização e a democratização do acesso à informação.

Reportagem | Portal Acre Conservador
* Com informações da Câmara dos Deputados

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