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CASO MASTERVorcaro cobrou jurídico para acionar escritório de filho de Lewandowski

Mensagens obtidas pela PF revelam que Daniel Vorcaro pressionou o departamento jurídico do Banco Master a retomar contato com Enrique Lewandowski, filho do ministro aposentado Ricardo Lewandowski.

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Mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro pela Polícia Federal e divulgadas pelo jornal Folha de S. Paulo nesta terça-feira (22) indicam que o então dono do Banco Master cobrou sua equipe jurídica para restabelecer a comunicação com Enrique Lewandowski, filho do ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski.

Segundo o conteúdo obtido, Vorcaro lembrou que existia um contrato firmado com o escritório de advocacia e solicitou que fosse apresentado ao advogado algum caso ou parecer, de modo a dar continuidade à relação profissional.

Nas conversas, Vorcaro orientou o então diretor jurídico do Master, Luiz Rennó, a procurar Enrique pessoalmente nas dependências do banco, identificar-se como o novo responsável pela área e pedir desculpas pela ausência de contato.

O escritório de Enrique Lewandowski declarou, por meio de nota, que presta serviços jurídicos a diversos clientes, incluindo o Banco Master. Conforme a banca, foi celebrado um contrato de consultoria jurídica em agosto de 2023, com vigência até agosto de 2025, quando os trabalhos foram encerrados.

Ainda de acordo com o escritório, a partir de 2024 a consultoria passou a se concentrar em questões fiscais e tributárias, e os contatos do advogado Enrique Lewandowski ocorriam diretamente com o corpo jurídico do banco para tratar desses temas.

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Ricardo Lewandowski deixou a banca em 17 de janeiro de 2024, antes de assumir o Ministério da Justiça, e o escritório passou a ser conduzido por sua esposa, Yara de Abreu Lewandowski, e por Enrique.

Os diálogos obtidos pela Polícia Federal foram trocados em dezembro de 2024. Na ocasião, Vorcaro pediu a Rennó que encaminhasse algum caso a Enrique Lewandowski para justificar o contrato existente.

“Temos um contrato. Tem que chamar ele urgente. No banco. Vc se apresentar. Falar que trocou o diretor. Pedir desculpas que ficamos sem contato. E dá algum caso ou parecer para ele fazer”, escreveu Vorcaro na mensagem.

Luiz Rennó confirmou que faria a visita presencial e, depois, comunicou ao empresário que a situação estava resolvida e que daria prosseguimento ao contato. “Aqui dominado! Quase bebemos cerveja aqui no banco! Vou dar sequência”, respondeu Rennó.

As mensagens foram trocadas quando Ricardo Lewandowski já exercia o cargo de ministro da Justiça no governo Luiz Inácio Lula da Silva, a partir de fevereiro de 2024. Antes de assumir a pasta, após deixar o STF em abril de 2023, Lewandowski também havia prestado serviços de advocacia ao Banco Master.

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O ministro aposentado não se manifestou quando procurado para comentar as mensagens relacionadas ao escritório do filho. Em nota, ele afirmou que, ao ser convidado por Lula para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública, em janeiro de 2024, retirou-se do escritório de advocacia, suspendeu seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e deixou de atuar em todos os casos.

De acordo com a reportagem, Daniel Vorcaro adotava a estratégia de contratar escritórios de advocacia ligados a pessoas próximas a ministros do STF, como o de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes. O contrato de R$ 131 milhões previa a defesa dos interesses do Banco Master “onde for necessário” e sempre que solicitado, sendo tratado pelo empresário como o mais relevante e que poderia ser pago até mesmo sem nota fiscal.

Fonte: Gazeta do Povo

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