O futebol brasileiro está próximo de dar um passo significativo rumo à profissionalização. A Liga Forte União (LFU) e a Liga do Futebol Brasileiro (Libra), dois grupos que detêm os direitos de transmissão dos campeonatos, assinaram um Memorando de Entendimento (MOU) que estabelece as bases para uma futura fusão. A união visa organizar as Séries A e B do Brasileirão.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) não se opõe ao movimento. O presidente interino da entidade, Samir Xaud, já manifestou publicamente apoio à criação de uma liga independente para administrar as principais divisões do futebol nacional.
As negociações para os próximos contratos de transmissão, que vencem em 2030, já despertam interesse. Atualmente, os clubes da LFU recebem, em média, R$ 1,7 bilhão por temporada até 2029. Já os integrantes da Libra fecharam acordos avaliados em R$ 1,117 bilhão. A expectativa é que a negociação conjunta potencialize ainda mais esses valores.
No programa CNN Esportes S/A, exibido no último domingo (31), o economista César Grafietti, especialista em finanças esportivas, defendeu a iniciativa. Ele citou exemplos internacionais bem-sucedidos, como a Premier League inglesa e a LaLiga espanhola, para ilustrar os benefícios de um modelo unificado.
“Quando pensamos na Premier League, a primeira imagem que vem à mente é a liga, não os clubes individualmente. Na Espanha, é a LaLiga que vem primeiro. No Brasil, ainda priorizamos os clubes e depois o campeonato, fruto de muito individualismo. Uma liga cria um produto padronizado: você assiste a um jogo na TV e identifica instantaneamente que é o Campeonato Brasileiro, com câmeras, estética e gramados semelhantes. Isso agrega valor ao produto futebol”, explicou Grafietti.
Questionado sobre o potencial financeiro dessa transformação, o especialista projetou um valor de R$ 25 bilhões. Ele argumentou que a valorização do produto, aliada ao aumento de patrocínios, público e receitas de bilheteria e sócio-torcedor, além da exploração de novos mercados de transmissão, tornaria esse montante viável.
“Com tempo, chegaríamos a esse patamar. Conseguimos valorizar o produto, atrair mais patrocinadores, aumentar o público, o que eleva a receita de bilheteria e de sócios, e buscar mais dinheiro de transmissão, inclusive em outros mercados”, complementou Grafietti.
O CNN Esportes S/A, apresentado por João Vitor Xavier, aborda semanalmente os bastidores do mercado esportivo, um setor que movimenta bilhões. A 140ª edição contou com a participação de Grafietti, autor do relatório “Convocados 2026”. O programa debate economia e negócios no mundo da bola, com temas como a possível saída de Abel Ferreira do Palmeiras, comentada pela presidente Leila Pereira.
Fonte: CNN Brasil




























