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AGROPECUÁRIAReconhecimento chinês pode impulsionar exportações de carne bovina brasileira

A China reconheceu o Brasil como zona livre de febre aftosa, o que deve facilitar a certificação de frigoríficos e ampliar as vendas, segundo Welber Barral.

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A recente decisão da China de reconhecer o Brasil como país livre de febre aftosa abre caminho para a simplificação dos processos de certificação e habilitação de frigoríficos brasileiros interessados em exportar carne bovina para o maior comprador mundial do produto. A avaliação é de Welber Barral, especialista em comércio internacional e ex-secretário de Comércio Exterior, em entrevista à CNN Agro News.

Barral explica que o reconhecimento chinês veio na esteira da declaração do Brasil como livre de febre aftosa, status que já havia sido reconhecido por outras nações, especialmente mercados menores na África e no Oriente Médio. Ele considera o movimento um marco para o setor.

“O grande feito histórico foi o Brasil ter sido declarado livre da febre aftosa. A partir daí, diversos países começaram a aceitar esse status. A boa notícia é que a China, maior compradora da carne brasileira, também reconheceu, o que vai agilizar a certificação e a habilitação de frigoríficos, permitindo que o Brasil exporte mais para aquele mercado”, afirmou o especialista.

Segundo Barral, a nova realidade sanitária pode beneficiar especialmente os estados das regiões Norte e Centro-Oeste, que passam a ter mais chances de participar do comércio internacional de carne bovina. Anteriormente, apenas Santa Catarina era reconhecida internacionalmente como área livre da doença sem necessidade de vacinação.

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O especialista também demonstrou otimismo quanto à possibilidade de que outros países sigam o exemplo chinês e reconheçam o novo status sanitário brasileiro. No entanto, ele lembrou que a China mantém limites para as compras de carne bovina do Brasil.

“No ano passado, a China importou mais de 1,6 milhão de toneladas de carne bovina brasileira. Já neste ano, a cota é de cerca de 1,1 milhão de toneladas. O Brasil ainda tem grande capacidade de exportação, e essa cota pode se esgotar antes da metade do ano”, disse Barral.

Para Barral, o reconhecimento sanitário pode ainda favorecer a expansão das vendas brasileiras para outros mercados asiáticos, em um contexto de crescimento da renda e do consumo de proteínas na região. Ele ressaltou que barreiras sanitárias frequentemente criam obstáculos para as exportações brasileiras e que a declaração de país livre de febre aftosa abre o acesso a esses mercados.

O ex-secretário defendeu a diversificação dos destinos das exportações de carne bovina brasileira. Segundo ele, ampliar a carteira de clientes pode ajudar o setor a sustentar os níveis de embarque diante de eventuais restrições impostas por compradores específicos.

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Ao comentar as limitações chinesas às importações, Barral afirmou que as medidas não são direcionadas exclusivamente ao Brasil. O país asiático enfrenta pressões de seus produtores locais, o que pode levar à adoção de barreiras tarifárias e não tarifárias para controlar as compras externas.

“Não é uma ação contra o Brasil em particular. A China é uma grande importadora de carne, mas sua produção bovina local não é competitiva. Existe uma pressão protecionista dos produtores chineses, que acaba se refletindo em barreiras tarifárias ou não tarifárias. Isso faz parte do comércio internacional. O importante é monitorar essas medidas, defender-se e comprovar a qualidade e a sanidade da carne brasileira”, concluiu Barral.

Fonte: CNN Brasil

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