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COPA DO MUNDOHaiti troca idolatria pelo Brasil e vive sonho inédito em sua primeira Copa em 52 anos

Classificado para o Mundial de 2026, o Haiti enfrentará o Brasil no Grupo C, gerando uma explosão de patriotismo e esperança em meio à crise.

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Pela primeira vez desde 1974, o Haiti está em uma Copa do Mundo. A classificação histórica transformou o país, onde o futebol agora é sinônimo de união e orgulho nacional. Nas ruas de Porto Príncipe, crianças improvisam peladas em terrenos baldios, enquanto vendedores ambulantes trocam camisas da seleção brasileira por réplicas do uniforme haitiano.

O time nacional, apelidado de Grenadiers, integrará o Grupo C ao lado de Marrocos, Escócia e Brasil. O confronto contra os brasileiros está marcado para 19 de junho, no Estádio da Filadélfia. Para muitos haitianos, essa partida representa um divisor de águas: o antigo ídolo agora é adversário.

Guerier Lima, de 16 anos, personifica essa mudança. Antes fã incondicional do Brasil, ele agora diz que seu coração pertence ao Haiti. “Meu time favorito era o Brasil, mas meu país está na Copa. O Brasil ficou em segundo plano”, afirma, enquanto chuta uma bola entre pedras que servem de traves em uma rua esburacada.

O jovem usa um tênis em um pé e um chinelo de plástico no outro, mas sonha alto. “Gostaria de ser o Duckens Nazon, representando o Haiti nos torneios”, diz, referindo-se ao maior artilheiro da história da seleção. “Minha família não pode pagar um clube, mas estou tentando entrar de qualquer jeito.”

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A paixão pelo Brasil tem raízes profundas no Haiti. Muitos se lembram da Copa de 1982, quando o capitão Sócrates encantou o mundo. O amor cresceu em 2004, quando o Brasil liderou uma missão de paz da ONU no país e organizou um amistoso. Na ocasião, milhares de haitianos correram ao lado do comboio que levava Ronaldo e Roberto Carlos, gritando “Brasil! Brasil!”.

O jogo terminou em 6 a 0 para os brasileiros, mas a derrota não diminuiu a festa. Haveria outro encontro em 2016, pela Copa América, quando o Brasil goleou por 7 a 1. Agora, o cenário é outro. “Espero que o Haiti ataque o Brasil como um tigre”, diz Yvenson Luxama, vendedor ambulante de 34 anos.

A empolgação toma conta de todas as camadas sociais. Prophète Ismeus, corretor de 52 anos, não pôde comprar uma camisa de 13 dólares, mas adquiriu uma pulseira de plástico de 1 dólar nas cores da bandeira. “Estou mostrando meu apoio da melhor forma que posso. Espero que o Haiti vença o Brasil”, afirma.

Fitho Joseph, que vende camisas de futebol nas ruas, diz que deixou de torcer pelo Brasil assim que o Haiti se classificou. “Mesmo que uma família tenha dez pessoas, todos deveriam usar a camisa da seleção”, defende.

Para Wilkerson Daromain, de 33 anos, a camisa é um símbolo de resistência. “Vestir a camisa é uma mensagem de esperança para os Grenadiers. Uma mensagem de que ainda há vida aqui”, explica. O grito de guerra “Grenadye, alaso!” — “Tropas, ao ataque!” — ecoa pelas ruas, lembrando a revolução que fez do Haiti a primeira república negra do mundo.

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Mario Etienne, de 15 anos, nunca viu seu país em uma Copa. “É uma reunião nacional. Se não houver energia, vou assistir na rua ou na casa de um amigo”, planeja. Claudy Denis, de 14 anos, promete não perder nenhum dos três jogos. “Não podemos estar no estádio, mas vamos vê-los pela TV”, comemora.

A violência das gangues e a fome deixaram mais de 1,4 milhão de haitianos deslocados. Jean-Paul Jean Pierre, vendedor ambulante de 29 anos, vive em um abrigo improvisado com a esposa e dois filhos. Para ele, a Copa é uma oportunidade de negócio. “Gostaria que houvesse uma Copa todo ano para eu poder sobreviver”, diz, pragmático.

Apesar das dificuldades, a esperança predomina. O Haiti de 2026 não é o mesmo de 1974: o time é mais forte, a torcida mais apaixonada. E, pela primeira vez, o Brasil não é o favorito no coração dos haitianos.

Fonte: G1

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