O presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB), Américo Monte Júnior, compareceu à CPMI do INSS nesta quinta-feira (4) e passou a maior parte do depoimento em silêncio, amparado por um habeas corpus concedido pelo ministro Nunes Marques, do STF. A decisão autorizou o depoente a não responder perguntas que pudessem incriminá-lo, e foi amplamente utilizada durante a oitiva.
Mesmo assim, os parlamentares insistiram, pressionaram e apresentaram documentos que reforçam a suspeita de que Monte Júnior — que recebia auxílio emergencial até 2021 — tornou-se multimilionário em apenas quatro anos.
Silêncio diante de perguntas-chave
O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), fez uma série de questionamentos sobre a origem do dinheiro movimentado pelo dirigente da Amar Brasil e sobre o vínculo dele com empresas apontadas como parte de um esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas.
Monte Júnior respondeu apenas às perguntas sobre parentesco e posse de bens, afirmando que seu pai, Américo Monte, é o atual presidente da associação. Todo o restante foi respondido com silêncio.
Gaspar destacou que, segundo a Polícia Federal, Monte Júnior possui diversos carros de luxo, patrimônio considerado incompatível com a renda declarada antes de sua ascensão como empresário do setor de benefícios.
R$ 700 milhões em recursos sob suspeita
Durante o depoimento, o relator exibiu um gráfico mostrando a possível rede de associações e empresas interligadas ao grupo de Monte Júnior. Essas entidades, segundo Gaspar, podem ter movimentado mais de R$ 700 milhões provenientes de descontos fraudulentos em benefícios previdenciários.
As associações, conforme descreveu, seriam de fachada, criadas exclusivamente para viabilizar a apropriação ilegal de valores descontados de aposentados sem solicitação ou consentimento.
Deputados como Rogério Correia (PT-MG) reforçaram essa tese ao apontar movimentações financeiras que indicariam “pulverização” dos recursos — um dos métodos mais comuns na lavagem de dinheiro.
O senador Izalci Lucas (PL-DF) também destacou que a quebra de sigilo indica que Monte Júnior controlava diretamente várias associações envolvidas no esquema.
Críticas ao habeas corpus e ausência de outro depoente
O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), criticou a concessão de habeas corpus, afirmando que ela estaria criando um “desequilíbrio entre os poderes” ao impedir investigações mais profundas.
Além disso, estava prevista a oitiva de Silas da Costa Vaz, da Conafer, mas o depoente apresentou atestado médico e não compareceu.
Um “acerto moral” com idosos enganados
Em seu balanço, Carlos Viana afirmou que a CPMI representa um “acerto moral de contas do Brasil com a geração que construiu o país”.
Segundo ele, cada fraude contra aposentados é “uma ruptura do pacto entre o Estado e aqueles que dedicaram a vida ao país”.
Reportagem | Portal Acre Conservador
*Com informações da Agência Senado / Câmara dos Deputados.




























