O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, declarou nesta quarta-feira que o governo do presidente Donald Trump e a comunidade internacional não permanecerão inertes diante do agravamento da repressão na Nicarágua. A posição foi manifestada depois que Daniel Ortega comunicou oficialmente o cancelamento de futuros pleitos eleitorais no país centro-americano.
No poder desde 2007, Ortega afirmou que não permitirá que legendas de oposição voltem a concorrer ao governo. Rubio acusou o regime de Ortega e da vice-presidente Rosario Murillo de intensificar as medidas autoritárias e gerar instabilidade regional. Para o chefe da diplomacia americana, o fim das eleições revela o temor do governo diante da vontade popular nicaraguense.
Ortega governa a Nicarágua há quase duas décadas e declarou que não abrirá mais espaço para que seus adversários cheguem ao poder. “Não haverá mais eleições aqui para que eles tentem tomar o governo e o poder”, afirmou o líder sandinista, que atribuiu aos Estados Unidos o patrocínio dos partidos contrários ao seu regime.
Em suas declarações, Ortega também afirmou que as agremiações opositoras defendem a ditadura que controlava o país antes da Revolução Sandinista, na década de 1980. “Os dias em que partidos apoiados pelos ianques e pelos somozistas voltariam ao poder acabaram. Nunca mais”, disse.
A última oportunidade em que os nicaraguenses puderam votar foi em 2021, em uma eleição marcada pela prisão dos principais adversários do governo. No ano passado, o mandato de Ortega foi estendido para seis anos após uma série de reformas constitucionais que também colocaram sua esposa, Rosario Murillo, como “copresidente”.
Ortega chegou ao poder pela primeira vez após o sucesso da Revolução Sandinista, movimento socialista que derrubou a ditadura da dinastia Somoza. Como um dos líderes do grupo, ele se tornou coordenador de uma Junta de Governo de Reconstrução Nacional. Em 1984, foi eleito presidente e permaneceu no cargo até perder as eleições de 1995 para Violeta Chamorro. Retornou ao poder em 2007 e desde então não deixou o comando do país.
O caso da Nicarágua serve de alerta para as nações livres, pois a democracia não foi derrubada por armas, mas sim por votos e discursos. Os sandinistas subverteram o regime gradualmente, eliminando liberdades enquanto juravam defendê-las. A Brasil Paralelo produziu o documentário “Nicarágua: Liberdade Exilada”, que investiga esse processo e suas consequências.
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Fonte: Brasil Paralelo Notícias






























