Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Argentina, Javier Milei, protagonizaram discursos quase simultâneos em eventos partidários realizados neste sábado (25/7) em São Paulo. As falas ocorreram em convenções que oficializaram candidaturas para as eleições de outubro.
Lula discursou às 13h06 em Campinas, durante a convenção do PT que confirmou a candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo. A fala do petista durou 27 minutos e 36 segundos, na qual ele fez um alerta sobre possíveis interferências externas no pleito.
“Quem quiser, de fora, vir se meter nas eleições brasileiras, já vou avisando logo: vão apanhar muito aqui nas eleições”, declarou Lula, em tom de advertência. Ele reforçou que a decisão sobre o futuro político do país cabe exclusivamente aos brasileiros.
Milei, por sua vez, começou seu discurso às 13h02 na Arena Pacaembu, onde participava da convenção que oficializou a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. O presidente argentino falou por 27 minutos e 19 segundos.
Em sua fala, Milei teceu elogios a Flávio Bolsonaro e fez duras críticas a Lula. A declaração mais polêmica foi direcionada ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, a quem se referiu como “lixo careca”. A ofensa ocorreu após Moraes impedir que Milei visitasse o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão.
“O lixo careca não me permitiu visitar meu amigo injustamente preso, embora eu saiba que Lula recebia constantemente líderes estrangeiros enquanto estava na cadeia, inclusive aquele ex-presidente argentino desastroso, Alberto Fernández”, disse Milei. Ao encerrar sua participação, ele e Flávio exibiram uma camisa da seleção argentina junto com uma bandeira do Brasil.
A ofensa de Milei gerou reação imediata do presidente do STF, ministro Edson Fachin. Em nota, Fachin classificou a declaração como desrespeitosa e defendeu a independência do Judiciário brasileiro. “Tomei conhecimento da declaração do presidente da Argentina sobre Ministro do Supremo Tribunal Federal. Trata-se de referência desrespeitosa a magistrado da mais alta Corte do país, feita em solo brasileiro, por ato jurisdicional praticado conforme a Constituição e as leis da República Federativa do Brasil”, afirmou Fachin.
O ministro prosseguiu dizendo que a Presidência do STF deplora manifestações incompatíveis com a civilidade esperada nas relações entre Estados. A nota reforça a autonomia do Judiciário brasileiro e repudia ataques a seus membros.
Fonte: Metrópoles






























