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TRANSFERÊNCIA RENDA

Dez cidades brasileiras têm mais beneficiários do Bolsa Família do que residências, aponta levantamento

O Acre está entre os dez estados brasileiros, em que o volume de famílias que recebem o Bolsa Família supera o número de trabalhadores com carteira assinada (CLT).

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Um levantamento de dados públicos realizado em janeiro de 2025 revelou que, em dez municípios brasileiros, o número de famílias atendidas pelo Bolsa Família supera a quantidade de domicílios registrados pelo IBGE. A situação mais extrema ocorre em Serrano do Maranhão (MA), que lidera o ranking de dependência proporcional com 5.041 famílias beneficiárias para apenas 3.953 residências, atingindo um percentual de 127,5%.

Abaixo de Serrano do Maranhão no ranking de maior discrepância proporcional, figuram municípios das regiões Norte e Nordeste, como São Paulo de Olivença (AM) com 112,8%, Fonte Boa (AM) com 112,3%, Cachoeira Grande (MA) com 110,8% e Melgaço (PA) com 110,6%. Especialistas apontam que esses números indicam possíveis inconsistências cadastrais ou fraudes, embora o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) explique que o fenômeno pode ser causado por “famílias conviventes” que residem em um mesmo imóvel ou pelo crescimento populacional desde o Censo 2022.

Ranking de dependência

A dependência econômica é ainda mais evidente quando se cruza o número de beneficiários com o mercado de trabalho formal. Em dez estados brasileiros, o volume de famílias que recebem o Bolsa Família supera o número de trabalhadores com carteira assinada (CLT).

Maranhão: É o estado com a maior dependência proporcional sob esta ótica, registrando 1,77 beneficiário para cada trabalhador formal. Existem cerca de 521,6 mil famílias a mais no programa do que empregos formais no estado.

Outros estados em situação similar: Além do Maranhão, estados como Pará (excedente de 294,7 mil beneficiários), Piauí (193,5 mil) e Bahia (185,4 mil) lideram o desequilíbrio entre auxílio social e emprego CLT. Completam a lista de maior dependência econômica o Paraíba, Alagoas, Amazonas, Amapá, Sergipe e Acre.

Nestas unidades federativas, mais de um terço dos lares dependem da transferência de renda federal (por residências):

Pará: 46,1%

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Maranhão: 45,6%

Piauí: 45,3%

Alagoas: 41,7%

Amazonas: 40,8%

Ceará: 40,3%

Paraíba: 40,2%

Bahia: 38,7%

Acre: 38,6%

Pernambuco: 37,6%

Relação com o cenário eleitoral de 2022

As informações a seguir baseiam-se em dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e análises políticas amplamente divulgadas, que o leitor poderá avaliar de forma independente.

Historicamente, observa-se uma correlação entre municípios com alta dependência de programas de transferência de renda e o desempenho eleitoral de candidatos que representam a manutenção ou ampliação dessas políticas.

No segundo turno das eleições presidenciais de 2022, o candidato Luiz Inácio Lula da Silva obteve vitórias expressivas nos estados e municípios com as maiores taxas de beneficiários do Bolsa Família.

Em Serrano do Maranhão, o líder do ranking de dependência, Lula venceu com larga vantagem (aproximadamente 93% dos votos válidos). Essa tendência foi replicada nos dez estados que mais dependem do programa — todos localizados no Norte e Nordeste — onde o atual presidente foi o vencedor no pleito de 2022.

Por outro lado, em estados com menor proporção de beneficiários, como Santa Catarina e Paraná, o candidato Jair Bolsonaro obteve a maioria dos votos.

Com base nos dados da folha de pagamentos de abril de 2025 e nos levantamentos proporcionais contidos nas fontes, é possível identificar os municípios e estados com os menores índices de recebimento do Bolsa Família, representando o oposto do cenário de alta dependência anteriormente discutido.

Estados com menor proporção de beneficiários

No ranking nacional, a dependência do programa é significativamente menor nas regiões Sul e Sudeste. Os estados com os menores percentuais de população vinculada ao programa são:

Santa Catarina: 2,9% (o menor índice do Brasil).

Paraná: 5,1%.

São Paulo: 5,4%.

Rio Grande do Sul: 24º lugar entre as 27 unidades da federação com menor percentual.

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Município com menor proporção de beneficiários

Tomando como exemplo o levantamento regional no Rio Grande do Sul, o município de Santa Clara do Sul destaca-se por ter a menor proporção de atendidos na sua região, com apenas 0,45% da população cadastrada no programa.

Ranking de municípios com menos famílias atendidas

Ao analisar os dados de abril de 2025 por número absoluto de famílias beneficiárias, diversos municípios de pequeno porte, principalmente no Sul e Sudeste, registram volumes baixíssimos de repasses.

Os “campeões” de menor número de inscritos identificados nas fontes são:

Três Arroios (RS): 6 famílias.

São Domingos do Sul (RS): 8 famílias.

Montauri (RS): 10 famílias.

Santa Tereza (RS): 11 famílias.

Lacerdópolis (SC): 12 famílias.

Vespasiano Correa (RS): 12 famílias.

Poço das Antas (RS): 12 famílias.

Cunhataí (SC): 16 famílias.

Linha Nova (RS): 17 famílias.

Luzerna (SC): 25 famílias.

Em Minas Gerais, destaca-se Serra da Saudade, com apenas 34 famílias beneficiárias, e em São Paulo, o município de Bora, com 47 famílias atendidas. No arquipélago de Fernando de Noronha (PE), que embora não seja um município autônomo é listado separadamente, apenas 63 famílias recebem o auxílio.

Resumo do cenário

Enquanto no Norte e Nordeste existem cidades onde o número de benefícios supera o de residências, no Sul e Sudeste o cenário é de baixa capilaridade do programa, com muitos municípios atendendo menos de 50 famílias no total, refletindo menores índices de vulnerabilidade social extrema segundo os critérios do programa.

Reportagem ACRE CONSERVADOR
*Com informações de Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) / Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) / Jornal Ação Popular / Revista Oeste / Primeira Hora / Progresso News / IBGE (Censo Demográfico 2022).

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