Os Correios iniciaram o ano de 2025 enfrentando uma das piores crises de sua história recente. A estatal registrou um prejuízo de R$ 1,72 bilhão no primeiro trimestre, mais que o dobro do saldo negativo contabilizado no mesmo período do ano passado (R$ 801 milhões), segundo dados divulgados nesta terça-feira.
Além do colapso financeiro, o Tribunal de Contas da União (TCU) identificou irregularidades contábeis que podem agravar ainda mais a situação. A estatal também enfrenta restrições operacionais impostas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que suspendeu voos logísticos após problemas na gestão do transporte de produtos perigosos, impactando diretamente os serviços de encomendas expressas.
Em nota, os Correios afirmaram estar “comprometidos com o cumprimento da legislação vigente”, e atribuem parte da crise às “práticas herdadas de gestões anteriores”. Internamente, a empresa busca renegociar contratos, cortar despesas e impulsionar a adesão ao Plano de Demissão Voluntária (PDV), que já atingiu cerca de 3 mil funcionários.
Crise estrutural e déficit nas agências
Dos mais de 6.300 pontos de atendimento da empresa, apenas 15% operam com superávit. Em muitas regiões do país, há falta de carteiros e sobrecarga de trabalho, resultando em atrasos generalizados na entrega de correspondências e encomendas.
Os funcionários também estão preocupados com os atrasos nas contribuições ao Postalis, o fundo de previdência dos empregados da estatal, que já acumula um rombo superior a R$ 10 bilhões.
Segundo especialistas do setor logístico, parte da deterioração financeira da empresa se deve à concorrência com plataformas privadas, como Mercado Livre, Amazon e Shopee, que já possuem redes logísticas próprias mais ágeis e tecnológicas. Outro fator recente que afetou as receitas foi a nova tributação federal sobre compras internacionais de baixo valor, que reduziu o volume de encomendas movimentadas pelos Correios no comércio exterior.
Anac impõe sanções; estatal tenta acordo
A Anac suspendeu voos dos Correios por irregularidades na documentação e no manuseio de materiais classificados como perigosos. A estatal negocia um plano de ação para evitar a paralisação completa da malha aérea, crucial para as entregas de urgência, especialmente nas regiões Norte e Centro-Oeste.
Fontes internas da estatal ouvidas sob anonimato afirmam que falhas no setor de compliance e fiscalização interna se agravaram nos últimos três anos, com redução de investimentos em auditoria e controle operacional.
Próximos passos
A diretoria da estatal está prevista para se reunir com membros do Ministério das Comunicações e da Casa Civil ainda esta semana, para discutir alternativas de reestruturação, incluindo a possibilidade de fechamento de agências deficitárias e parcerias com a iniciativa privada.
Enquanto isso, o TCU deve abrir uma auditoria especial para apurar a extensão das irregularidades contábeis e investigar se houve omissão deliberada de passivos no balanço da empresa.
Contexto adicional:
- Os Correios empregam cerca de 85 mil pessoas no Brasil.
- Em 2021, o governo federal tentou levar adiante um processo de privatização, barrado no Senado.
- A empresa perdeu mais de 30% do seu mercado de encomendas nos últimos cinco anos, segundo a ABComm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico).
Fonte: Jovem Pan






























