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ECONOMIABrasil atinge recorde de 9 milhões de empresas com dívidas em atraso, aponta Serasa

Em abril, o país registrou o maior número de CNPJs negativados da história, com 1,5 milhão de novas empresas inadimplentes em um ano.

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O número de empresas com dívidas em atraso no Brasil atingiu um novo recorde em abril. Pela primeira vez, o país ultrapassou a marca de 9 milhões de CNPJs negativados, segundo dados da Serasa Experian. Nos últimos doze meses, o contingente de companhias nessa situação cresceu em 1,5 milhão, saltando de 7,5 milhões em abril de 2025 para o patamar atual.

O volume total de débitos também alcançou um nível inédito: foram 63,7 milhões de contas vencidas e não pagas, que somam R$ 220,9 bilhões. Em média, cada empresa inadimplente possui 7,1 pendências financeiras. O valor médio da dívida por CNPJ é de R$ 24.665,91, enquanto o tíquete médio por débito chega a R$ 3.468,99.

A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, afirma que o cenário reflete a continuidade de um ambiente de crédito restritivo para as empresas brasileiras. Ela explica que os dados indicam a manutenção da inadimplência em um patamar bastante elevado, com potencial para novos recordes ao longo de 2026.

Camila destaca que a combinação de juros ainda muito altos com a desaceleração da atividade econômica pressiona o faturamento das companhias e reduz a capacidade de recomposição de caixa. Mesmo com o início do ciclo de cortes na taxa básica de juros, o custo do crédito ainda não caiu o suficiente para aliviar de forma consistente a situação financeira das empresas.

O Indicador Serasa Experian de Inadimplência das Empresas considera inadimplente toda companhia que possui ao menos um compromisso financeiro vencido e cujo não pagamento foi formalmente comunicado pelo credor. A apuração leva em conta as notificações registradas até o último dia do mês de referência.

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O setor de serviços concentra a maior parcela das empresas inadimplentes, representando 55,6% do total. Em seguida aparecem o comércio, com 32,4%, a indústria, com 8,1%, e o setor primário, com 0,9%. Na origem das dívidas, os serviços também lideram, com 31,7% dos débitos negativados, seguidos por bancos e cartões (19,4%), cooperativas (8,6%), utilities (7%) e telefonia (5,7%).

Para a economista, a composição das dívidas indica que parte relevante da inadimplência está ligada à necessidade de manter o capital de giro e as operações. Em um ambiente de crédito restritivo e juros elevados, as companhias recorrem mais ao crédito comercial e a diferentes instrumentos de financiamento, mas enfrentam dificuldades para administrar esse passivo diante do acúmulo de pendências.

Na análise regional, o Sudeste concentra o maior volume de empresas inadimplentes. São Paulo lidera com 3.076.064 CNPJs negativados, seguido por Minas Gerais (881.652) e Rio de Janeiro (864.722). Paraná, com 588.935, e Rio Grande do Sul, com 518.195, também figuram entre os estados com maior número de companhias em atraso. A Serasa Experian destaca que a concentração acompanha o peso econômico e a maior densidade empresarial dessas regiões.

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As micro e pequenas empresas continuam sendo as mais afetadas pela inadimplência. Em abril, esse grupo somava 8,5 milhões de CNPJs negativados, também um recorde histórico. Juntas, elas acumulam 57,6 milhões de dívidas, que totalizam R$ 191,8 bilhões. Em média, cada micro ou pequena empresa possui 6,8 contas em atraso, com dívida média de R$ 22.503,39 e tíquete médio de R$ 3.328,73.

Camila ressalta que esses negócios são mais vulneráveis a um ambiente de crédito restritivo por dependerem mais de linhas de curto prazo e terem menor capacidade de negociação. Juros elevados e maior seletividade na concessão de crédito dificultam a recomposição do capital de giro e a administração do fluxo de caixa, mantendo a inadimplência em patamar elevado.

O recorde de inadimplência empresarial ocorre em meio a um cenário econômico desafiador. A desaceleração da economia e a manutenção de juros altos pressionam o caixa das companhias, especialmente as de menor porte. Especialistas apontam que, mesmo com a perspectiva de cortes na taxa Selic, a recuperação do crédito deve ser lenta e gradual.

Os dados da Serasa Experian reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas ao alívio do endividamento empresarial. Medidas como programas de renegociação e linhas de crédito subsidiadas são vistas como alternativas para conter o avanço da inadimplência e evitar que mais empresas entrem em situação de insolvência.

Fonte: O GLOBO

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