O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deposita expectativas em um encontro bilateral com Jamieson Greer, chefe do escritório comercial dos Estados Unidos, como estratégia para impedir a aplicação de tarifas elevadas sobre itens do Brasil. O órgão norte-americano avalia, até o dia 15 de julho, a possibilidade de impor uma sobretaxa de 25% sobre mercadorias brasileiras, na sequência de uma investigação de cunho comercial.
A reunião, programada para ocorrer nos próximos dias, deve contar com a participação de Marcio Elias Rosa, titular do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A pasta tem assumido a liderança nas tratativas relacionadas às tarifas com os Estados Unidos.
Conforme interlocutores do presidente Lula, o encontro é resultado de um intenso processo de negociação entre as duas nações, com o propósito de evitar a imposição de novas taxas sobre as exportações brasileiras. Nesta semana, o USTR dá continuidade ao procedimento que examina a aplicação de 25% de tarifas sobre produtos do Brasil importados pelos norte-americanos.
Em audiências realizadas nesta segunda-feira (6) e terça-feira (7), o órgão ouve representantes da sociedade civil, empresas e associações sobre a questão tarifária. A previsão é que as sobretaxas entrem em vigor a partir de 15 de julho. Até essa data, o governo brasileiro espera alcançar um entendimento com os Estados Unidos.
No contexto das negociações, o Brasil submeteu aos EUA um ‘mapa de compensações’, que reforça instrumentos de controle em áreas contestadas pelos norte-americanos com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Entre os temas abordados estão comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, etanol e combate ao desmatamento ilegal.
Inicialmente, três setores principais podem integrar a mesa de negociação, com possibilidade de redução das alíquotas de importação de itens norte-americanos: máquinas, equipamentos para saúde e tecnologia da informação, que totalizam aproximadamente 300 linhas tarifárias. Segundo o governo brasileiro, essas áreas atendem a interesses econômicos dos EUA ao mesmo tempo que protegem segmentos da indústria nacional — a proposta foi elaborada para não prejudicar os produtores brasileiros.
Apesar dos esforços, o Palácio do Planalto reconhece dificuldades na negociação com os americanos. Após o último encontro entre o MDIC e o USTR, o ministro Márcio Elias Rosa admitiu que questões políticas têm dificultado o avanço das discussões. A gestão de Donald Trump tem adotado uma postura crítica em relação ao presidente Lula, que possui alinhamento político-ideológico distinto do republicano.
Integrantes do Palácio do Planalto também mencionam que a insistência da família Bolsonaro em manter um canal de interlocução paralelo com a Casa Branca complica as tratativas burocráticas e diplomáticas com o USTR. Esse fator adicional é visto como um obstáculo para a conclusão de um acordo favorável ao Brasil.
Fonte: Metrópoles






























