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A VEZ DO LULINHACrise entre PF e gabinete de Mendonça se agrava com novo inquérito do INSS

Disputa institucional sobre controle de investigações se intensifica com pedido para investigar Lulinha.

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A decisão da Polícia Federal de solicitar a abertura de um novo inquérito no âmbito do caso do INSS, que agora envolve Fábio Luiz Lula da Silva, conhecido como Lulinha, aprofundou um desentendimento que já existia nos bastidores entre a corporação e o gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pela relatoria do processo.

O trâmite do novo pedido ocorreu durante o plantão do ministro Alexandre de Moraes, foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR), que se manifestou favoravelmente, e então distribuído a Mendonça, que já atua no inquérito principal sobre supostas irregularidades no INSS.

Essa sequência, no entanto, é apenas o capítulo mais recente de uma crise que se arrasta há meses nos bastidores. Assessores do ministro André Mendonça têm demonstrado insatisfação com o andamento das apurações e reclamam da falta de informações atualizadas sobre o inquérito.

As reclamações incluem a demora na realização de algumas diligências e a preocupação com alterações na equipe responsável pelas investigações. Esses pontos geraram um clima de desconfiança entre os dois lados.

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A Polícia Federal, por sua vez, nega qualquer irregularidade na condução do caso e afirma que os procedimentos adotados seguiram critérios técnicos, sem favorecimentos ou interferências externas.

O mal-estar também se manifestou em outra frente: a PF provocou a Advocacia-Geral da União (AGU) para analisar medidas contra restrições impostas pelo ministro Mendonça que limitam a comunicação de informações da investigação com superiores hierárquicos dos delegados envolvidos.

Na visão de interlocutores do gabinete do ministro, esse tipo de restrição não seria compatível com a transparência esperada em um processo dessa natureza, e há indícios de que algo estaria fora do padrão na condução das apurações.

Fontes da Polícia Federal contestam essas suspeitas, afirmando que não houve qualquer atuação indevida, mas ressaltam que discordam de decisões que possam interferir nas suas prerrogativas funcionais.

De acordo com essas fontes, desde janeiro a PF buscava a AGU para questionar medidas entendidas como intervenção nas suas atribuições. Naquele período, quem relatava o caso era o ministro Dias Toffoli, e o contato inicial foi feito de forma verbal; posteriormente, em maio e junho, as demandas foram formalizadas.

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A corporação enfatiza que esse movimento é anterior ao pedido de investigação envolvendo Lulinha, que é alvo de suspeitas de corrupção e tráfico de influência, e que, portanto, não haveria relação entre os dois episódios.

Paralelamente, há ainda a questão envolvendo o senador Jaques Wagner. Após a retirada parcial do sigilo de documentos, surgiram suspeitas de vazamento de informações, o que passou a constar nas petições do processo e contribuiu para elevar ainda mais o nível de tensão entre as partes.

Com isso, o caso do INSS deixou de ser apenas uma investigação criminal, tornando-se também um palco de disputa institucional entre setores da Polícia Federal e o gabinete do ministro André Mendonça sobre quem deve ter o controle efetivo das apurações.

Fonte: O Sul

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