O primeiro trem-bala do Brasil, projeto que pretende conectar São Paulo ao Rio de Janeiro por 417 quilômetros de ferrovia de alta velocidade, teve sua previsão de início de operação alterada para 2033. A informação foi divulgada pelo diretor-executivo da TAV Brasil, Bernardo Figueiredo, que atribuiu o atraso ao processo de licenciamento ambiental conduzido pelo Ibama.
Originalmente, as obras estavam previstas para começar em 2028. No entanto, segundo Figueiredo, a demora na definição dos termos de referência por parte do Ibama, que estava sobrecarregado com demandas do Programa de Aceleração de Investimentos (PAC), atrasou o cronograma em cerca de um ano e meio.
“O Ibama estava sobrecarregado com as demandas do PAC. Então demorou mais 1 ano e meio para definir os termos de referência. A gente só conseguiu no final de 2025. Em função disso, a gente vai precisar de uma prorrogação do prazo para tirar a licença prévia. Originalmente, era previsto iniciar as obras em 2028. Mas agora pode ser até que comece mais no final de 2028 ou em 2029. Com isso o início da operação ficará para 2033”, explicou o executivo.
Apesar do adiamento, Figueiredo garantiu que não deve haver aumento nos custos estimados do empreendimento. Atualmente, a empresa busca investidores estrangeiros para viabilizar financeiramente o projeto, com interesse em grupos da Europa e da China, que possuem tecnologia consolidada para trens de alta velocidade.
O projeto prevê estações em São Paulo, na região da Água Branca, e no Rio de Janeiro, na Central do Brasil, que será integrada ao metrô, trens urbanos e VLT. Haverá também paradas em cidades intermediárias do Vale do Paraíba e interior paulista.
A tarifa estimada para o percurso completo entre as duas capitais é de cerca de R$ 500, com variações conforme a antecedência da compra. Para viagens a cidades intermediárias, o valor deve ficar entre R$ 300 e R$ 350.
A concessão para planejar, construir e explorar a ferrovia foi concedida por 99 anos, com possibilidade de renovação por igual período. A expectativa é que o trem-bala dispute passageiros principalmente com a ponte aérea entre São Paulo e Rio de Janeiro, além de atrair usuários de ônibus e automóveis.
O projeto enfrenta desafios, mas segue como uma das principais iniciativas de infraestrutura de transporte do país. A nova data de estreia, 2033, reforça a necessidade de agilidade nos processos ambientais para viabilizar a obra.
Enquanto isso, a TAV Brasil continua os trâmites para obtenção da licença prévia, essencial para o início das obras. O executivo afirmou que a empresa está confiante na aprovação e no cumprimento do novo cronograma, apesar dos obstáculos burocráticos.
O trem-bala é visto como um marco para a mobilidade entre as duas maiores cidades brasileiras, reduzindo o tempo de viagem para cerca de uma hora e meia. Atualmente, o trajeto de avião leva cerca de uma hora, sem contar deslocamentos até os aeroportos.
Com o adiamento, a população terá que esperar mais alguns anos para ver o projeto se concretizar. No entanto, a promessa de uma alternativa rápida e eficiente mantém o interesse no empreendimento.
A TAV Brasil também estuda parcerias com empresas internacionais para garantir a transferência de tecnologia e know-how. O diretor destacou que a experiência de países como França, Japão e China será fundamental para o sucesso do projeto.
Por fim, Figueiredo ressaltou que o adiamento não significa abandono, mas sim um ajuste necessário dentro da realidade do licenciamento ambiental brasileiro. A expectativa é que as obras comecem ainda nesta década, com a operação iniciando na próxima.
Fonte: ND+



























