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GOVERNO NÃO DEU ATENÇÃOMercado teme reação do governo brasileiro ao tarifaço dos EUA

Analista aponta que impacto direto é pequeno, mas resposta do Brasil pode gerar incertezas comerciais.

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O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (15) a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros, medida que já está em vigor. A decisão foi recebida com cautela por analistas financeiros, que avaliam os possíveis desdobramentos para a economia nacional.

Em entrevista ao CNN Money, Felipe Cima, especialista em renda variável da Manchester Investimentos, afirmou que os efeitos imediatos do tarifaço tendem a ser modestos. De acordo com ele, um estudo do Goldman Sachs projeta que a tarifa efetiva deve ficar em torno de 16,8%, com redução do fluxo comercial de aproximadamente US$ 1 bilhão e impacto de apenas 0,03% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

Cima destacou que os impactos econômicos devem se concentrar em estados como São Paulo e Santa Catarina, além de afetar um grupo restrito de empresas listadas na Bolsa de Valores. Isso ocorre porque a pauta de exportações brasileiras para os EUA é composta majoritariamente por produtos industrializados, ao contrário das vendas para a China, que são dominadas por commodities como soja, petróleo e minério de ferro. Segundo o analista, essa diferença torna os efeitos das tarifas mais pulverizados pela economia.

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Apesar do impacto direto limitado, o mercado está mais preocupado com a reação do governo brasileiro. Cima citou duas possíveis medidas de retaliação em análise: a reformulação do Plano Brasil Soberano e a aplicação da Lei da Reciprocidade, que permite ao Brasil elevar tarifas contra países que imponham barreiras a seus produtos.

O analista avaliou que a Lei da Reciprocidade gera maior incerteza, por representar um risco de escalada nas tensões comerciais. Ele lembrou que, se o Brasil adotar essa via, os Estados Unidos podem responder com novas tarifas, ampliando o conflito e a instabilidade para empresas e investidores.

Cima também chamou atenção para o contexto político. Com a proximidade das eleições presidenciais, o tema pode ganhar contornos eleitorais e influenciar as decisões do governo, tornando o cenário ainda mais imprevisível.

No mercado de ações, o analista projeta impactos negativos, mas moderados. Empresas como WEG, Tupy e Randon estão entre as mais expostas, assim como companhias do setor de vestuário. No entanto, ele ressaltou que muitas dessas empresas já possuem operações no México e podem reorganizar suas cadeias produtivas para mitigar parte dos prejuízos.

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Por fim, Cima alertou para um risco adicional: se o Brasil retaliar, os EUA podem ampliar as tarifas, elevando a incerteza para os negócios e os investidores. A situação, segundo ele, exige monitoramento cuidadoso das próximas semanas.

Fonte: CNN Brasil

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