A Polícia Civil da Bahia deflagrou nesta sexta-feira (3) a Operação Sintonia de Gravata, que resultou na prisão de dez advogados e na emissão de mandados contra 12 detentos já encarcerados. A ação visa desarticular um esquema de comunicação clandestina entre facções criminosas e seus líderes presos.
Os mandados foram cumpridos em seis cidades baianas: Salvador, Lauro de Freitas, Camaçari, Feira de Santana, Serrinha e Barreiras. Ao todo, foram expedidos 21 mandados de prisão e 15 de busca e apreensão pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Eunápolis.
Inicialmente, nove advogados foram localizados. O décimo foi capturado no fim da tarde, escondido em uma residência na cidade de Marcionílio Souza. Durante as buscas, notebooks, celulares e documentos foram apreendidos para aprofundar as investigações.
Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), os advogados atuavam como ponte entre líderes de facções presos e membros em liberdade. Eles se aproveitavam das prerrogativas da classe para driblar o isolamento imposto em presídios de segurança máxima.
Entre os profissionais detidos, Maria Tereza Novaes Martins trabalhava para Victor de Freitas Silva, o “Da Jega”, chefe do Comando Vermelho (CV) em Feira de Santana. Izabela da Silva de Oliveira atendia Averaldo Ferreira da Silva Filho, o “Averaldinho”, líder do Bonde do Maluco (BDM) em Salvador.
Luan Mascarenhas de Souza era responsável por Francisleno de Jesus Nunes, cujos crimes não foram detalhados. Icaro Cardoso Viana atendia Gleidson Bomfim do Nascimento, Ademilton Mercês Alves e Délcio Douglas Silva Oliveira, conhecido como “Vaqueiro”, chefe do BDM.
Luã Santos da Costa representava Leandro da Conceição Santos Fonseca, o “Léo Gringo”, líder do BDM na Bahia, e Wesley Willian Alves dos Santos. Fernanda Oliveira Borges atuava para Marlos Araújo Souza Junior, o “Bolão”, ligado ao Terceiro Comando Puro (TCP) em Senhor do Bonfim.
Tamires Felix Alves Silva defendia “Vaqueiro”, do BDM. Maria Mariana Batista de Oliveira atuava para Fábio Santana Oliveira, o “Panda”, chefe do CV em Capim Grosso; José Lucas Silva Rocha, o “Índio”, do CV em Eunápolis; e “Da Jega”. Raiza da Silva e Joanderson Almeida dos Santos não tiveram seus assistidos identificados.
As investigações revelaram que as facções mantinham um sistema sofisticado de comunicação ilícita, permitindo que chefes presos continuassem a comandar tráfico de drogas, posse de armas e articulações criminosas. Os advogados exerciam papel estratégico na transmissão de mensagens e ordens.
Os promotores destacaram que as organizações criminosas são estruturadas e têm atuação regional, com impacto direto na segurança pública do estado. O esquema burlava o isolamento de presídios de segurança máxima, utilizando advogados como intermediários.
Os detidos ainda não têm advogados constituídos no processo. A operação continua em andamento, com análise do material apreendido para identificar outros possíveis envolvidos.
Fonte: O Sul































