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ACHANDO UM CULPADOLula concentra críticas em Rubio e evita ataque direto a Trump durante reunião ministerial

Presidente brasileiro critica secretário de Estado americano e defende soberania nacional em meio a tarifaço imposto pelos EUA.

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Em reunião ministerial no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve a estratégia de dirigir suas críticas mais contundentes ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, evitando um confronto direto com o presidente Donald Trump. A tática, já utilizada em discurso anterior em Goiás, ficou evidente na abertura do encontro com seus ministros.

Durante a reunião, uma tela exibia a frase “o Pix é do Brasil”, em referência à acusação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) de que o país adota práticas desleais de comércio por meio do sistema de pagamentos instantâneos. A defesa do Pix e da soberania nacional tornou-se o eixo central da resposta brasileira às medidas americanas.

Lula acusou a família Bolsonaro, especialmente o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, de articular as sanções com Trump. O presidente afirmou que Rubio faz parte da ala mais radical do governo americano, integrando o movimento Make America Great Again (Maga), e mantém relações próximas com os Bolsonaro.

“Esse Marco Rubio não gosta da América Latina e muito menos do Brasil, ele é um latino-americano frustrado”, declarou Lula, lembrando que Rubio disse não considerar o Brasil um aliado. O secretário americano afirmou que a América Latina está “cheia de aliados” dos EUA, exceto Cuba, Venezuela, Nicarágua, Brasil e o governo colombiano de Gustavo Petro.

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“Nós somos grandes, temos muita história e não podemos aceitar o tratamento que os Estados Unidos deram ao Brasil esta semana, não é possível”, completou o presidente.

A escalada tarifária entre os dois países teve início em janeiro de 2025, com medidas para aço e bens de China, México e Canadá. Em abril, Trump lançou o primeiro tarifaço generalizado, o “Dia da Libertação”, com taxas variáveis por país, baseadas na Lei de Poderes Econômicos de Emergências Internacionais (Ieepa). O Brasil foi taxado em 10%.

Em julho, Trump anunciou tarifa adicional de 40% sobre produtos brasileiros, citando investigações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro como “caça às bruxas”. O decreto da Casa Branca confirmou a medida, com alguns produtos chegando a 50% de sobretaxa, e incluiu lista de cerca de 700 exceções. Paralelamente, foi aberta investigação do USTR sobre práticas comerciais brasileiras.

Em setembro, durante a Assembleia Geral da ONU em Nova York, Lula e Trump tiveram o primeiro encontro pessoal, com troca de elogios. Trump mencionou “química” entre eles e sinalizou possibilidade de nova reunião, que ocorreu em outubro, na Malásia, para discutir o tarifaço.

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Em novembro de 2025, a Casa Branca ampliou a lista de produtos isentos das tarifas, após pressão de empresas americanas que alertavam sobre repasse de custos e inflação. Em fevereiro passado, a Suprema Corte americana considerou inconstitucional boa parte do tarifaço, suspendendo as tarifas baseadas na Ieepa, incluindo a sobretaxa de 40% contra o Brasil.

Em resposta, Trump anunciou novo decreto com tarifa global de 10% sobre todos os países, utilizando a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974 para driblar a decisão judicial. O tarifaço generalizado terminaria no início de julho, e o republicano busca adotar tarifas substitutas.

Lula, durante a reunião ministerial, reiterou a defesa da soberania nacional e criticou a postura americana, sem atacar diretamente Trump. A estratégia visa preservar canais de diálogo enquanto enfrenta pressões comerciais e políticas.

Fonte: O Sul

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