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SEM PAZHezbollah rejeita cessar-fogo e exige retirada total de Israel do Líbano

Grupo libanês rejeita trégua condicional e pede cessar-fogo abrangente com saída israelense.

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O Hezbollah, grupo armado libanês apoiado pelo Irã, recusou a proposta de cessar-fogo condicional apresentada por autoridades do Líbano e de Israel nesta quinta-feira (4). Em vez disso, a organização exige um acordo de cessação das hostilidades que seja completo e incondicional, além da saída imediata das forças israelenses do território libanês.

Em uma mensagem transmitida pelo canal Al Manar, de propriedade do movimento, o líder do Hezbollah, Naim Qasem, declarou que qualquer trégua precisa ser global e não pode conceder ao inimigo a permissão para matar no Líbano. A declaração ocorre um dia após a quarta rodada de negociações entre enviados israelenses e libaneses em Washington.

Na capital americana, as partes concordaram com um cessar-fogo que estaria condicionado à interrupção dos ataques do Hezbollah e à retirada de todos os membros do grupo da região ao sul do rio Litani, que fica a cerca de 30 quilômetros ao norte da fronteira entre os dois países.

Para Qasem, aceitar essa condição seria equivalente a uma rendição e uma derrota. Um alto funcionário do Hezbollah, que falou sob anonimato, confirmou à agência France-Presse que o grupo rejeitou o acordo. A decisão foi comunicada ao presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, aliado da organização xiita.

O presidente do Líbano, Joseph Aoun, aguardava a resposta do Hezbollah ao acordo do dia anterior, que ele descreveu como uma última chance para se alcançar um cessar-fogo abrangente. A rejeição do grupo aumenta a incerteza sobre o futuro do processo de paz.

Qasem também instou o governo libanês a interromper o que chamou de farsa e humilhação das negociações diretas com Israel. Ele acrescentou que enquanto o povo libanês não estiver seguro, os assentamentos no norte de Israel também não estarão seguros.

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O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, anunciou que o exército começará a se mobilizar em zonas-piloto no sul do país, considerando isso um passo tangível. No entanto, a população permanece cética em relação à eficácia de tais medidas.

Mohamad Chamsedin, de 56 anos, que abandonou sua casa nos arredores de Beirute, disse à AFP que esta não é a primeira vez que um cessar-fogo é anunciado e Israel o viola. A desconfiança é generalizada entre os civis que sofreram com os bombardeios.

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, alertou que o exército continuará seus ataques e operações terrestres por enquanto. Ele afirmou que as forças israelenses mantêm liberdade de ação, com apoio americano, para atacar Beirute em resposta ao bombardeio de comunidades e território israelenses.

O exército israelense ordenou novamente a evacuação de toda a área ao sul do rio Zahrani, cerca de 40 quilômetros ao norte da fronteira, enquanto as tropas continuam atacando a infraestrutura do Hezbollah naquele setor. A agência de notícias estatal libanesa NNA relatou ataques de drones israelenses em várias cidades no sul e leste do país.

A Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil) informou que um soldado da paz sérvio morreu e outros dois ficaram feridos após um bombardeio atingir sua base na noite de quarta-feira, no sul do Líbano. O incidente agrava ainda mais a tensão na região.

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A situação na frente libanesa afeta as negociações entre os Estados Unidos e o Irã. Teerã exige a cessação das hostilidades no Líbano como condição para um acordo que ponha fim à guerra regional iniciada em fevereiro. Embora o presidente dos EUA, Donald Trump, pareça otimista, os ataques continuam esporadicamente no Golfo e as negociações estão estagnadas.

A Guarda Revolucionária do Irã exigiu a retirada do exército israelense do Líbano. O general Esmail Qaani, chefe da Força Quds, escreveu que apoiar a resistência no Líbano é dever de cada um. Israel e Líbano já haviam concordado com um cessar-fogo em 17 de abril, mas ele nunca se traduziu em uma calma genuína no terreno.

O Hezbollah arrastou o Líbano para a guerra regional que começou com a ofensiva de EUA e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro. Os bombardeios israelenses mataram mais de 3.500 pessoas e deslocaram mais de um milhão no Líbano desde 2 de março, segundo as autoridades libanesas. Do lado israelense, 26 soldados e um terceirizado civil morreram em território libanês.

Trump quer separar a frente libanesa da frente iraniana para pôr fim a uma guerra impopular entre os americanos. Na quarta-feira (3), a Câmara dos Representantes dos EUA pediu o fim da guerra em uma votação sobre uma resolução simbólica que Trump classificou como antipatriótica. O líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, declarou que os Estados Unidos e Israel estão tentando dividir seu país após ter sofrido um duro revés na guerra.

Fonte: Jovem Pan

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