O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, lançou um convite público nesta quinta-feira para que seu homólogo russo, Vladimir Putin, participe de um encontro bilateral. A oferta foi feita por meio de uma carta aberta, na qual também se propõe uma trégua completa nos combates enquanto as partes discutem os termos para encerrar o conflito.
As tentativas de findar a guerra, considerada a mais letal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, encontram-se paralisadas. A Ucrânia realiza frequentemente ataques contra a Rússia e áreas sob controle russo como retaliação aos bombardeios diários que Moscou empreende desde o início da invasão em larga escala, em fevereiro de 2022.
“Sugiro que coloquemos um ponto final nesta guerra por meio de um acordo direto entre o senhor e nós. Proponho uma reunião”, escreveu Zelensky na missiva incomum. Acrescentou que Kiev está “pronta para um cessar-fogo completo enquanto as negociações estiverem em andamento”, em declaração feita pouco antes de Putin discursar em um importante fórum de investimentos em São Petersburgo, conhecido como o “Davos russo”.
Em conversa com jornalistas estrangeiros em sua cidade natal, Putin afirmou, na quinta-feira, que está sempre aberto a dialogar com a Ucrânia sobre uma solução para a guerra, com base no que foi discutido “durante o encontro com o presidente (americano Donald) Trump” em Anchorage, em agosto de 2025.
Moscou impõe a Kiev exigências políticas e territoriais, especialmente a retirada completa da região de Donetsk, parte do Donbass. O governo ucraniano rejeita essas condições por considerá-las uma rendição. Putin indicou que um acordo não impediria a Rússia de assumir o controle total do Donbass, bacia mineradora no leste da Ucrânia que atualmente está parcialmente ocupada.
“Uma coisa não elimina a outra”, declarou o líder russo aos jornalistas. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou na quarta-feira que “nenhuma das partes mostrou disposição para fazer as concessões necessárias para restaurar a paz, especialmente do lado russo”.
Donald Trump retornou à Casa Branca prometendo encerrar a guerra rapidamente, mas desde o início de um conflito no Oriente Médio, após um ataque conjunto dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, passou a enfrentar outra crise. “É evidente que a administração americana se vê forçada a focar sua atenção nesse assunto e tratá-lo antes de qualquer outro”, avaliou Putin na quinta-feira.
No campo de batalha, os confrontos prosseguem. O líder russo garantiu que as tropas de Moscou avançam “em toda a linha de frente”. Contudo, uma análise da AFP baseada em dados do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW) mostra que a Ucrânia recuperou cerca de 282 km² dos russos em maio, pelo segundo mês consecutivo reduzindo a área sob controle russo. Do final de 2023 até alguns meses atrás, os russos vinham ganhando terreno.
Apesar do recuo das forças de Moscou, há militares russos infiltrados na maioria das áreas onde a Ucrânia retomou território. Putin planeja fortalecer o sistema de defesa antiaérea. “A Rússia possui um sistema de defesa antiaérea. Sim, precisamos aprimorá-lo. Sim, precisamos reforçá-lo. E faremos isso”, afirmou, um dia após um ataque de drones contra instalações energéticas e militares em São Petersburgo.
Putin não descartou ampliar o uso do míssil balístico hipersônico Oreshnik para atingir cidades ucranianas. O líder russo repetiu que o projétil, já utilizado três vezes contra a Ucrânia, é capaz de transportar ogivas nucleares.
Fonte: Jovem Pan



























