
“O sarampo pode evoluir para um quadro grave com pneumonia, meningite e até óbito”, esclareceu a médica infectologista Cirley Lobato. Foto: Luan Martins/SesacreDiante do avanço do surto de sarampo na Bolívia, o governo do Acre está em estado de alerta para evitar a reintrodução do vírus em território acreano. A Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) promoveu uma coletiva de imprensa nesta terça-feira, 8, para comunicar as medidas adotadas no campo da vigilância epidemiológica, sobretudo nas regiões de fronteira.
Segundo a secretária adjunta de Atenção à Saúde, Ana Cristina Moraes, a situação exige atenção redobrada. “O sarampo é uma doença grave, altamente contagiosa, e que pode ser prevenida com a vacina, disponível em todas as unidades básicas de saúde do estado”, disse, pedindo a colaboração de toda a população para manter a imunização em dia.
Apesar de nenhum caso de sarampo ter sido confirmado no Acre em 2025, o registro de 80 casos na Bolívia, principalmente no Departamento de Santa Cruz, acende um sinal de alerta. Isso porque o Acre faz fronteira aberta com o país vizinho, onde a circulação de pessoas é intensa, o que pode facilitar a entrada do vírus.
🧬 Histórico do Sarampo no Acre: 10 anos de vigilância constante
O último caso autóctone (transmissão local) de sarampo no Acre foi registrado em 2000, o que coloca o estado como uma das unidades da federação que mantiveram o controle da doença por mais tempo. Contudo, o panorama nacional e internacional impôs desafios.
Entre 2014 e 2023, o Acre não confirmou casos de sarampo, mas foi afetado indiretamente por surtos ocorridos em outros estados, como Amazonas, Roraima e São Paulo. Em 2019, por exemplo, o Brasil perdeu o certificado de país livre do sarampo concedido pela Organização Pan-Americana da Saúde, após o retorno da doença em diversas regiões do país.
Nesse mesmo ano, o Acre intensificou campanhas de vacinação e ações de bloqueio vacinal em áreas de risco, embora não tenha registrado casos confirmados. Em 2020 e 2021, durante a pandemia de covid-19, houve uma queda significativa nas coberturas vacinais, o que aumentou a vulnerabilidade populacional.
Em 2023, o estado voltou a registrar altas coberturas da primeira dose da vacina tríplice viral, mas a segunda dose permaneceu abaixo da meta recomendada de 95% pelo Ministério da Saúde. Isso representa um risco à proteção coletiva (imunidade de rebanho), especialmente entre crianças menores de cinco anos e adultos jovens.
🛡️ Ações preventivas em curso
A Sesacre mantém equipes de vigilância epidemiológica ativas, com estrutura preparada para a detecção rápida de casos suspeitos e envio de amostras ao Laboratório Central (Lacen). “Estamos atentos, principalmente nas áreas de fronteira. Qualquer sintoma suspeito será investigado e, se necessário, medidas de contenção serão imediatamente acionadas”, afirmou Renata Meireles, responsável técnica pelas Doenças Imunopreveníveis.
Segundo Renata Quiles, coordenadora do Programa Nacional de Imunizações no estado, o desafio maior está na adesão da população à segunda dose. “Se nossas coberturas estivessem completas, poderíamos encarar esse surto boliviano com mais tranquilidade. Mas a realidade exige vigilância permanente.”
A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, está disponível gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde em todo o estado. Em 2025, o Acre atingiu 96,67% de cobertura na primeira dose em crianças, mas apenas 70,32% na segunda dose – índice que reforça o apelo das autoridades para que pais e responsáveis levem seus filhos para completar o esquema vacinal.
⚠️ Sintomas, transmissão e riscos
A médica infectologista Cirley Lobato alerta que o sarampo é uma doença altamente transmissível e pode evoluir para complicações graves. “A transmissão ocorre por gotículas respiratórias. O período de incubação vai até 14 dias, e os sintomas incluem febre, manchas vermelhas no corpo, conjuntivite, tosse e coriza. Casos mais graves podem evoluir para pneumonia, encefalite e até óbito”, explica.
Ela também recomenda evitar aglomerações e buscar atendimento médico ao primeiro sinal dos sintomas. “Se tiver febre, manchas e desconforto, fique em casa e procure a unidade de saúde mais próxima. A prevenção é a vacina.”
🔎 Nota editorial
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Com informações da Agência de Notícias do Acre





























