A distância salarial entre os atuais comandantes das seleções francesa e brasileira é enorme, conforme revelou a rádio RMC nesta quarta-feira (29). Zinedine Zidane, recém-anunciado como técnico da França, terá remuneração mensal de €300 mil (aproximadamente R$ 1,75 milhão), valor fixo que não inclui bonificações. Já Carlo Ancelotti, no comando do Brasil desde o ano passado, embolsa cerca de €800 mil por mês (R$ 4,7 milhões), segundo estimativas de mercado.
O contrato de Zidane com a Federação Francesa de Futebol (FFF) prevê metas de desempenho que podem elevar seus vencimentos para até €450 mil mensais (cerca de R$ 2,63 milhões). Mesmo com os bônus, o montante fica muito aquém do que recebe Ancelotti, que lidera o ranking de técnicos mais bem pagos entre seleções nacionais.
A disparidade fica ainda mais evidente quando se compara os valores anuais. Enquanto o italiano ganha €9,5 milhões por temporada (R$ 55,8 milhões), Zidane terá direito a €3,6 milhões (R$ 21 milhões) se cumprir todas as metas. A diferença ultrapassa €5 milhões, o que equivale a aproximadamente R$ 34 milhões a menos para o francês.
O salário de Zidane, contudo, é o sexto maior do mundo entre treinadores de seleções. A lista é liderada por Ancelotti, seguido por Jürgen Klopp (Alemanha, €7 milhões), Thomas Tuchel (Inglaterra, €5,9 milhões), Jorge Jesus (Portugal, €4,5 milhões) e Fabio Cannavaro (Uzbequistão, €4 milhões).
A negociação de Zidane com a FFF ocorreu em meio a uma nova lei francesa que limita o salário de dirigentes e funcionários de federações esportivas a €450 mil por ano. Como o contrato do ex-jogador foi assinado antes da promulgação da legislação, a federação não precisará solicitar exceção ao governo, conforme informou o jornal L’Équipe.
Zidane assinou vínculo até a Copa do Mundo de 2030, sucedendo Didier Deschamps, que deixou o cargo após 12 anos. Deschamps levou a França ao título mundial em 2018 e ao vice em 2022. Agora, Zidane inicia seu primeiro trabalho como técnico de uma seleção, após passagens vitoriosas pelo Real Madrid.
No clube espanhol, o francês conquistou três Ligas dos Campeões consecutivas (2016, 2017 e 2018), além de dois Mundiais de Clubes, duas Supercopas da Europa e um Campeonato Espanhol. Sua experiência como comandante, porém, limita-se a três temporadas no Real Madrid, entre 2016 e 2018.
A escolha de Zidane pela França encerra meses de especulação. O ex-meia, que também foi ídolo como jogador da seleção campeã mundial em 1998, terá a missão de renovar o elenco francês e buscar o hexacampeonato em 2030. O contrato longo indica confiança da FFF em seu projeto.
Enquanto isso, Ancelotti segue como o técnico mais bem remunerado do futebol de seleções. Seu contrato com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) vai até 2026, com possibilidade de renovação. O italiano já comandou a equipe em amistosos e nas eliminatórias para a Copa do Mundo, com resultados mistos até o momento.
A diferença nos vencimentos também reflete as realidades econômicas das duas federações. A CBF possui receitas maiores, impulsionadas por patrocínios e direitos de transmissão. A FFF, apesar de tradicional, tem orçamento mais enxuto e agora precisará se adequar à nova lei de teto salarial, embora Zidane fique de fora por enquanto.
Para Zidane, o desafio esportivo é tão grande quanto o financeiro. Ele precisará provar que seu sucesso no Real Madrid não foi apenas fruto de um elenco estrelado, mas sim de sua capacidade tática e de gestão de grupo. A França conta com jovens talentos como Kylian Mbappé, mas também enfrenta o desgaste natural de gerações anteriores.
Fonte: ND+





























