A Vice-Presidência do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) realizou, na terça-feira (30), uma reunião virtual com representantes do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) para discutir a possibilidade de compartilhamento de tecnologias de inteligência artificial. O encontro teve como foco a ferramenta Hannah, desenvolvida pelo TJMT, que automatiza a análise de admissibilidade de recursos especiais e extraordinários.
Durante a apresentação, o engenheiro de inteligência artificial Daniel Dock, da equipe do TJMT, demonstrou o funcionamento do sistema. A Hannah é capaz de verificar requisitos como tempestividade e regularidade formal dos recursos, relacionar argumentos com temas repetitivos do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), além de elaborar minutas de decisão para validação posterior pela assessoria jurídica. Segundo Dock, a ferramenta evoluiu de um modelo baseado em perguntas e respostas para uma inteligência artificial mais autônoma, e já analisou mais de 9,3 mil processos no TJMT em 2025.
A expectativa é que a Hannah esteja disponível para todos os tribunais do país até o fim de julho, por meio do Programa Conecta, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A vice-presidente do TJAC, desembargadora Regina Ferrari, agradeceu ao TJMT pela apresentação e destacou que a iniciativa representa uma oportunidade para aprimorar o trabalho da vice-presidência, onde a identificação de temas repetitivos e súmulas vinculantes ainda é feita manualmente. Ela avaliou que a integração da Hannah ao sistema eproc poderia tornar o processo mais ágil e eficiente.
O TJAC também desenvolve suas próprias soluções de inteligência artificial. A Assistente Digital Ampliada (ADA), criada pela equipe técnica do tribunal, já é utilizada no primeiro e segundo graus de jurisdição e possui um módulo específico para apoio às decisões de admissibilidade na vice-presidência. A ADA é coordenada por um Comitê de Governança sob a supervisão da juíza auxiliar da Presidência, Zenice Mota Cardozo, com participação das juízas Louise Kristina Lopes de Oliveira Santana e Joelma Ribeiro Nogueira, entre outros.
Participaram da reunião o juiz Bruno Perrotta de Menezes e o juiz auxiliar da Vice-Presidência do TJMT, Gerardo Humberto. A vice-presidência do TJAC avaliará a viabilidade de utilizar a Hannah em caráter experimental por meio do Programa Conecta do CNJ. A experiência também deverá contribuir para o aperfeiçoamento da ADA, e as equipes técnicas dos dois tribunais manterão o intercâmbio de conhecimentos sobre o uso de inteligência artificial no Judiciário.
Fonte: TJ Acre





























