A preferência por altos rendimentos, segurança no emprego e oportunidades de ascensão profissional continua sendo o que mais motiva os brasileiros ao pensar nos próximos cinco anos de carreira. Essa é a conclusão da 69ª edição do estudo Retratos da Sociedade Brasileira: Futuro Profissional, divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a Nexus.
De acordo com o levantamento, valores tradicionais ainda superam novidades como o home office e a redução de carga horária. O salário foi indicado como o principal atrativo por 28,7% dos participantes. Já a estabilidade profissional foi citada por 22,4%, enquanto as possibilidades de crescimento apareceram para 20,1%.
Por outro lado, o formato remoto de trabalho foi priorizado por 15,9% da amostra, e a jornada reduzida por apenas 9,8%. Para Cláudia Perdigão, especialista da CNI, os números refletem a força que o vínculo formal ainda possui entre a população.
“O modelo celetista ainda é a primeira escolha do trabalhador, e isso explica por que ele continua mirando essa relação de emprego formal no médio e longo prazos”, comentou a analista. A pesquisa também revelou que 36,3% dos que estão em busca de trabalho consideram a carteira assinada a modalidade mais atraente. Entre os jovens de 25 a 34 anos, esse índice chega a 41,4%.
Embora 95% dos entrevistados tenham dito estar satisfeitos com o emprego atual, o futuro é visto com cautela. Cerca de 42,7% dos brasileiros afirmaram não ter ideia de qual profissão exercerão daqui a cinco anos. Conforme o estudo, essa incerteza é mais comum entre os mais velhos e está ligada ao ritmo acelerado das inovações tecnológicas.
A pesquisa também apontou gargalos na formação profissional. Menos da metade da população domina habilidades digitais avançadas, como o manejo de inteligência artificial e planilhas complexas. Isso sugere que, mesmo contentes com sua realidade atual, muitos trabalhadores se preocupam em não conseguir acompanhar as futuras exigências do mercado.
Entre os que conseguem traçar uma meta profissional, os principais entraves apontados foram: escassez de vagas com boas condições (22%); falta de prática profissional (17,6%); inexistência de cursos de capacitação na região (16,9%); e a necessidade de cuidar de parentes (16,1%).
O levantamento ainda mostra que o espírito empreendedor continua presente: 13,9% dos entrevistados manifestaram interesse em abrir um negócio próprio, especialmente em ramos como comércio varejista, salões de beleza e restaurantes. A coleta de dados foi feita pela Nexus entre 10 e 15 de outubro de 2025, com 2.008 pessoas de 16 anos ou mais em todos os estados e no Distrito Federal. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Fonte: O Sul



























