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SEM “TODES”, NEM “ELUS”!

Por que o líder do Regime sancionou a proibição da linguagem neutra?

Apesar de simpatia de parte da esquerda, Lula sanciona lei que veta “todes” e “elu” para padronizar a comunicação oficial .
Sancionada a lei que proíbe linguagem neutra em órgãos públicos. Foto: Adriano Machado.

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🧾 Política Nacional de Linguagem Simples: as contradições da sanção pelo Regime

A jogada política por trás da norma

O líder do Regime, Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou a Lei 15.263/2025, instituindo a Política Nacional de Linguagem Simples, e vetou a linguagem neutra na administração pública — o que proíbe formas como “todes”, “elu”, “amigues” em documentos e comunicações oficiais.

À primeira vista, pode parecer uma vitória para posições conservadoras: o Estado reafirma o uso da norma gramatical tradicional. Mas a sanção revelada pelo Regime não é tão simples — há contradições profundas entre o discurso ideológico da esquerda, as pressões institucionais e as limitações políticas que cercam Lula.

Por que o Regime sancionou algo que sua própria base defende?

1 – Pressão institucional e legal

A nova política nacional torna obrigatória a “linguagem simples” para todos os órgãos públicos (União, estados e municípios), com diretrizes claras para tornar documentos mais compreensíveis, usando frases curtas, terminologia mais acessível, voz ativa, explicações para jargões etc.

Além disso, a sanção da proibição da linguagem neutra atende a análises jurídicas e técnicas: a lei exige aderência ao Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) e ao Acordo Ortográfico, reforçando a norma linguística tradicional.

Ou seja, a regra formal de linguagem simples está servindo como escudo para barrar experimentos gramaticais sob justificativa de clareza institucional.

2 – Limitação constitucional e precedentes do STF

De acordo com reportagens, o Supremo Tribunal Federal já declarou inconstitucionais leis municipais que proibiam a linguagem neutra, afirmando que “cabe à União” definir diretrizes sobre linguagem no setor público.

Isso significa que, para evitar uma proliferação de normas conflitantes entre estados e municípios — e eventuais disputas judiciais — o Regime optou por centralizar a questão por meio de uma lei federal. A sanção, portanto, resolve uma lacuna institucional e jurídico-legislativa.

3 – Pressão política conservadora no Congresso

Na tramitação do PL (PL 6256/2019), houve forte atuação de parlamentares conservadores, como Júnio Amaral (PL-MG), que apresentou emenda para proibir explicitamente a linguagem neutra no texto da política de linguagem simples.

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4 – A Câmara aprovou o projeto incluindo essa vedação.

Logo, Lula sancionar a lei com a proibição era, em parte, uma resposta inevitável às pressões desses setores. Ele pode ter tido pouca margem para vetar esse ponto, sob risco de antagonizar uma fatia relevante do Congresso.

Concessão simbólica para dialética ideológica

Para o Regime, sancionar a lei atende a uma estratégia simbólica: mostra que Lula também pode ceder em pautas ideológicas identitárias, mas com pegada institucional, arranjando-se com a direita cultural para preservar legitimidade entre os moderados. Ao mesmo tempo, abandona parte da militância identitária, mas sob discurso técnico (linguagem simples) — não exatamente por rechaço ideológico, mas por gestão da máquina pública.

As contradições da lei

  • Simples, mas ideológica: A lei se apresenta como uma iniciativa de desburocratização, mas, ao proibir a linguagem neutra, insere uma pauta cultural conservadora no cerne da administração pública.
  • Inclusiva por exclusão: Defensores da linguagem simples argumentam que a medida visa facilitar a compreensão para todos, especialmente para cidadãos com menor escolaridade. No entanto, ao vetar formas neutras de gênero, a norma exclui simbolicamente pessoas não binárias do discurso oficial.
  • Centralização federal: A sanção pelo Regime reforça a autoridade central do governo em definir padrões linguísticos — enquanto muitos à esquerda defendem descentralização e experimentação cultural, aqui se vê uma centralização normativa.
  • Limitações constitucionais vs liberdade de expressão: A proibição pode, no futuro, gerar disputas judiciais, especialmente em torno da liberdade de expressão e dos direitos das minorias de gênero — ainda que o Regime sustente que se trata apenas de “flexões gramaticais”, não de censura direta ideológica.

Consequências práticas e simbólicas

  • Treinamento e adaptação burocrática
    • Órgãos públicos terão de revisar manuais, documentos, portais, formulários e treinar servidores para obedecer às novas diretrizes da linguagem simples — o que pode demandar tempo e custo.
    • A padronização nacional significa uma reorganização institucional considerável para garantir que toda a máquina pública esteja alinhada ao padrão “simples e tradicional”.
  • Impacto simbólico:
    • Para a esquerda identitária, é um revés simbólico: o Estado oficial rejeita suas formas de expressão.
    • Para conservadores, é uma vitória cultural, afirmando que o idioma tem regras “sérias” que o governo deve preservar.
    • Para o Regime, é uma manobra de equilíbrio: sanciona algo conservador para consolidar legitimidade entre setores tradicionais, ao mesmo tempo em que instala uma reforma administrativa (linguagem simples) que pode, em tese, modernizar a comunicação estatal.
  • Risco de judicialização:
    • Grupos que defendem a linguagem neutra podem recorrer ao Judiciário, alegando violação de direitos de expressão ou identidade de gênero — especialmente se a nova lei for vista como uma forma de exclusão institucional.
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Do ponto de vista conservador, a sanção dessa lei pelo líder do Regime revela uma vitória estratégica contra o ativismo identitário, mas também uma concessão institucional do Regime para manter estabilidade política e evitar divisões com o Congresso. Ele não sancionou apenas por convicção lingüística ou cultural, mas porque as condições políticas o forçaram: pressão parlamentar, necessidade de consolidar uma política de comunicação e evitar fragmentações legais — tudo isso dentro de uma agenda de poder.

Esse episódio reforça algo central para nós: a língua é um campo de poder. Não basta controlar a economia ou a política; quem define os padrões da linguagem oficial exerce profundo controle cultural. O Regime, mesmo sob discurso de inclusão e “progresso social”, se curva às regras tradicionais da norma culta quando convém para preservar a estabilidade institucional e sua base de poder.

Reportagem | Portal Acre Conservador
Com informações de Danúzio News / G1 / UOL / Agência Brasil / Portal da Câmara dos Deputados

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