A semaglutida, princípio ativo dos medicamentos Ozempic e Wegovy, pode reduzir as crises de enxaqueca em pacientes, segundo um novo estudo apresentado no Congresso Europeu de Obesidade (ECO) 2026. A pesquisa utilizou dados de vida real de registros nacionais da Dinamarca e analisou 149.941 adultos que iniciaram o uso do composto entre dezembro de 2022 e junho de 2024, com acompanhamento médico adequado.
Após 12 meses do início do tratamento, os pesquisadores observaram uma redução de 11% no uso de triptanos, classe de medicamentos indicados para crises agudas de enxaqueca. Antes da administração de semaglutida, o uso desses medicamentos apresentava tendência de crescimento. No entanto, após o início do uso da semaglutida, houve uma inversão desse padrão.
Segundo os autores do estudo, a diminuição no uso de triptanos reflete uma redução real e consistente na frequência e/ou intensidade das crises de enxaqueca, e não apenas uma mudança no comportamento terapêutico. O trabalho utilizou um desenho de série temporal interrompida, comparando o uso de triptanos por até 24 meses antes e 12 meses após o início do tratamento com semaglutida, uma abordagem para avaliar mudanças associadas a intervenções em dados populacionais.
A semaglutida está presente em medicamentos como Ozempic, Wegovy e Rybelsus, e possui diversos benefícios comprovados no corpo, como perda de peso com manutenção de massa magra, proteção cardiovascular e dos rins, redução de gordura no fígado e diminuição no uso de tabaco e álcool, de acordo com Priscilla Mattar, vice-presidente da área médica da Novo Nordisk. “As pesquisas demonstram a capacidade da molécula no cuidado global da saúde dos pacientes”, completa.
O estudo também identificou que o benefício foi ainda mais evidente entre mulheres, que apresentaram redução mais acentuada no uso da medicação. Na prática, após o início do tratamento com semaglutida, as mulheres passaram a ter 13% menos necessidade de medicamentos para tratar crises de enxaqueca. Esse resultado está alinhado com o fato de que mulheres apresentam maior prevalência e carga da doença, além de maior sensibilidade a mecanismos neurovasculares associados à condição.
Os pesquisadores destacam que os achados abrem caminho para novas investigações sobre o uso de semaglutida no tratamento da enxaqueca, uma condição que afeta milhões de pessoas no mundo. No entanto, são necessários mais estudos clínicos randomizados para confirmar os benefícios observados e estabelecer diretrizes claras para a prescrição do medicamento nesse contexto.
O Congresso Europeu de Obesidade é um dos principais eventos científicos da área, reunindo especialistas de todo o mundo para discutir avanços no tratamento da obesidade e condições relacionadas. A apresentação do estudo gerou grande interesse entre os participantes, que veem potencial na semaglutida para além do controle de peso.
Fonte: O GLOBO





























