Uma operação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em uma propriedade rural na região do Juruá gerou forte reação na Câmara Municipal de Rio Branco. O vereador Aiache (PP) manifestou indignação na tribuna, classificando a ação como “desproporcional” e alegando que deixou uma família de pequenos produtores em situação de vulnerabilidade social.

Segundo o vereador, a operação ocorreu na propriedade de Josenildo, que vive no local há cinco anos com a família. O produtor possui 125 hectares e 160 animais, e sua subsistência depende da venda diária de leite. “É um sobrevivente, não um latifundiário”, afirmou Aiache, relatando que Josenildo precisou de ajuda de amigos para se alimentar após a ação.
A força-tarefa mobilizou, de acordo com o vereador, 15 caminhonetes, helicóptero, além de efetivos do Exército, Marinha e Aeronáutica. “Parece ação contra traficante, mas é contra quem tira leite às 4h da manhã para pagar a faculdade do filho”, denunciou Aiache. O parlamentar questionou a aplicação dos recursos utilizados nessas operações, mencionando repasses internacionais para preservação ambiental que, em sua visão, não beneficiam os pequenos produtores. Ele prometeu apresentar dados sobre esses recursos e defendeu que parte das verbas seja destinada à indenização dos produtores afetados. “Vamos deixar de romantismo: o que está acontecendo é perseguição. O Acre precisa proteger quem produz e sustenta esse estado”, concluiu.
Produtores de Xapuri Bloqueiam BR-317 em Protesto

O caso no Juruá não é isolado e ecoa os protestos que ocorreram recentemente em Xapuri, no Alto Acre. Na segunda-feira, 9 de junho de 2025, produtores rurais da região bloquearam a BR-317 em protesto contra o comportamento do ICMBio. O bloqueio, que causou transtornos no tráfego, manifestou a insatisfação de agricultores e extrativistas com o que consideram rigor excessivo e falta de diálogo por parte do órgão ambiental.
Os manifestantes de Xapuri, assim como as denúncias apresentadas pelo vereador Aiache, apontam para a necessidade de um equilíbrio entre a fiscalização ambiental e o respeito às atividades e à subsistência das comunidades rurais. A preocupação central é que operações de fiscalização, embora necessárias para a preservação ambiental, não resultem na desestruturação de famílias e na inviabilização da produção em pequenas propriedades, que são a base da economia local em muitas áreas do estado.
O impasse entre as agências de fiscalização ambiental e os pequenos produtores rurais no Acre tem se tornado um ponto de tensão, levantando discussões sobre as metodologias de atuação e a necessidade de políticas que conciliem a conservação da biodiversidade com o desenvolvimento social e econômico das comunidades tradicionais e agrícolas.
Fonte: Câmara de Vereadores de Rio Branco





























