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UM CONTINENTE CONTRA O CRIMEOperação contra Tren de Aragua expõe necessidade de cooperação internacional contra crime

Ação da Polícia Civil de Roraima prendeu 11 pessoas ligadas à facção venezuelana que movimentou R$ 6 bilhões no Brasil em dois anos.

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A Polícia Civil de Roraima deflagrou uma operação que representa um avanço no combate ao crime organizado transnacional. As ações ocorreram não apenas no estado, mas também em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Amazonas e Paraná, com mandados de prisão, busca e apreensão.

O alvo principal foi o esquema financeiro da facção venezuelana Tren de Aragua, que atua em parceria com grupos criminosos brasileiros, como o Comando Vermelho. A organização utilizava a fronteira para introduzir armamento pesado oriundo dos Estados Unidos e da Colômbia.

As investigações foram conduzidas pela Delegacia de Repressão às Organizações Criminosas (Draco) de Roraima e revelaram a complexidade da atuação do grupo no Brasil. Os agentes descobriram que a facção movimentou cerca de R$ 6 bilhões no país nos últimos dois anos, sendo mais de R$ 300 milhões apenas em criptoativos no último ano.

Entre os 11 presos, dois são apontados como operadores financeiros do esquema. Um deles foi capturado no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, e o outro em Foz do Iguaçu, no Paraná. A polícia destaca a dificuldade de rastrear as transações em moedas digitais.

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A operação evidencia a internacionalização do crime na América Latina e a necessidade de integração entre as forças de segurança dos países. Para os criminosos, as fronteiras não existem mais, o que exige uma resposta coordenada dos Estados.

O Tren de Aragua se aproveitou do aumento do fluxo migratório de venezuelanos para se infiltrar no Brasil. Inicialmente, a facção atuava na exploração da prostituição, depois passou ao tráfico de drogas e, mais recentemente, ao contrabando de armas para abastecer organizações brasileiras.

Diferentemente de outras facções, o Tren de Aragua não busca disputar territórios. Seu modelo de negócio é atuar como fornecedor de armas e drogas sintéticas, como metanfetamina e ecstasy, para grupos locais. Para isso, utiliza a chamada Rota do Norte, que atravessa a Amazônia por rios e estradas.

As fronteiras do Brasil com Venezuela, Colômbia, Peru e Bolívia somam mais de 10 mil quilômetros, o que corresponde a 60% das fronteiras secas do país. A fiscalização dessa extensa área é inviável sem o uso de tecnologia e o compartilhamento de informações entre os órgãos de segurança nacionais e estrangeiros.

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A operação contra o Tren de Aragua pode abrir caminho para uma maior cooperação entre o Brasil e os países vizinhos no enfrentamento ao crime organizado, que se torna cada vez mais uma ameaça comum na região.

Fonte: O GLOBO

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