O Palácio do Planalto iniciou um levantamento sobre dois cidadãos brasileiros incluídos, na última quarta-feira, na lista de sanções do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira são acusados de integrar um esquema de lavagem de dinheiro em benefício do Primeiro Comando da Capital (PCC).
De acordo com uma primeira avaliação de autoridades brasileiras, nenhum dos dois teria um papel de liderança dentro da facção criminosa. As suspeitas indicam que eles teriam envolvimento apenas em operações financeiras específicas, de forma pontual.
A medida americana foi anunciada pela gestão do presidente Donald Trump, que classificou a organização paulista como a maior gangue transnacional do hemisfério ocidental. O comunicado oficial também afirmou que o grupo representa uma ameaça concreta à segurança nacional dos Estados Unidos.
Desde o anúncio das sanções, o governo brasileiro tem se dedicado a compreender as razões que levaram Shimada e Stella a serem alvos. Até o momento, não há planos de contatar a Agência de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac), órgão do Tesouro americano responsável pelas sanções.
Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva informaram que, sempre que houver oportunidade, o Brasil reforçará a disposição de ampliar a cooperação internacional no combate ao crime organizado.
Uma das conclusões iniciais é que as sanções americanas se basearam em investigações conduzidas no Brasil, muitas delas de conhecimento público.
Shimada possui um longo histórico criminal no país. Ele foi condenado por participar de um esquema de fraude eletrônica e lavagem de dinheiro contra o antigo Banco Votorantim, hoje chamado BV. Além disso, é réu em um processo que investiga desvios de recursos do contrato de patrocínio entre o Corinthians e a casa de apostas Vai de Bet.
O brasileiro é sócio de três empresas: Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia Ltda, Pixwave Soluções de Pagamentos e Wave Construções Inteligentes. Todas elas, junto com a empresa Avenidas Flutuantes, também de Shimada, mas registrada em Portugal, foram incluídas nas sanções.
Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira é descrita como colaboradora próxima e parente de Shimada. Segundo as autoridades, ela teria atuado como sua secretária e intermediária na coleta de grandes quantias em espécie, prestando serviços logísticos fundamentais para o esquema.
Em dezembro, Shimada e Stella foram denunciados na Justiça da Flórida por envolvimento em lavagem de dinheiro em instituições financeiras de 12 cidades americanas, incluindo Denver, Rochester, Atlanta e Chicago. A denúncia aponta que os recursos eram originados do tráfico de drogas, mas não menciona facções brasileiras. O fornecedor das substâncias ilegais seria o mexicano Manuel Garcia-Urrea, conhecido como Manny.
Conhecidos pelos apelidos de Japa e Lara Croft, Shimada e Stella contariam com a ajuda de brasileiros residentes nos EUA para movimentar o dinheiro. Em janeiro, seis pessoas envolvidas no esquema, incluindo outros brasileiros, foram presas por autoridades americanas.
Na quarta-feira, após o anúncio das sanções, o governo Lula manifestou preocupação com a medida, que poderia gerar efeitos indiretos relevantes sobre instituições financeiras estrangeiras, inclusive brasileiras, devido ao risco de restrições regulatórias e eventual exposição a sanções secundárias.
Esta é a primeira sanção contra suspeitos de ligação com a facção brasileira desde que o governo Trump classificou, em maio, o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
A Secretaria Nacional de Justiça (Senajus), vinculada ao Ministério da Justiça, afirmou que as sanções podem anteceder providências ainda mais gravosas, adotadas fora dos mecanismos ordinários de cooperação internacional. Para a secretaria, a decisão não surpreende e é um desdobramento esperado após a classificação do PCC como grupo terrorista.
Fonte: O GLOBO





























