Menu

CINEMAFilme ‘Feito Pipa’ com criança LGBT disputa vaga do Brasil no Oscar 2027

Longa conquistou Urso de Cristal em Berlim e cinco Kikitos em Gramado; escolha do indicado brasileiro será em 16 de setembro.

publicidade

O filme brasileiro “Feito Pipa” está entre os seis finalistas para representar o país na disputa por uma indicação ao Oscar de 2027. A produção, que já acumula prêmios importantes, pode ser a escolhida pela Academia Brasileira de Cinema para concorrer à estatueta internacional.

Dirigido por Allan Deberton, o longa conquistou o Urso de Cristal de Melhor Filme no Festival de Berlim, um dos mais prestigiados do mundo, e também levou cinco Kikitos no Festival de Gramado, incluindo Melhor Filme. O anúncio do representante brasileiro será feito no dia 16 de setembro.

A trama acompanha Gugu, um menino LGBT que vive no sertão cearense ao lado da avó. Quando ela começa a apresentar sintomas de Alzheimer, o garoto tenta esconder a situação para evitar ser enviado para morar com o pai, interpretado por Lázaro Ramos, que não aceita o comportamento afeminado do filho.

Segundo o diretor Allan Deberton, o objetivo do filme é romper com as restrições que ainda existem em abordar a sexualidade na infância. “É um cinema que eu quero fazer, que quer acessar o público e contar histórias importantes. Foi um projeto difícil de fazer, por muito tempo senti que o mercado ainda tratava como tabu esse tema da infância queer”, afirmou.

Leia Também:  Animação brasileira para crianças supera 26 bilhões de visualizações no YouTube

O termo queer, usado por Deberton para descrever a tendência do personagem, significa algo como “estranho” ou “esquisito” em inglês. Historicamente, a palavra era utilizada de forma pejorativa para se referir a homossexuais, mas foi ressignificada por teóricos de gênero para designar qualquer pessoa que não se encaixe nos padrões heterossexuais tradicionais.

Uma das principais correntes teóricas sobre o tema é a Teoria Queer, que tem como uma de suas pensadoras centrais a filósofa Judith Butler. Em sua visão, as pessoas não expressam um gênero inato, mas aprendem e repetem comportamentos que a sociedade associa ao masculino ou feminino.

Butler compara esse processo à atuação de um ator em cena. “A performance é importante nesse sentido porque nós efetivamente encenamos quem somos, e qualquer pessoa que estuda performance sabe que existem performances que realizamos em nossas vidas que não são mera representação, não são falsas”, explica a autora.

Apesar de ser frequentemente apontada como criadora da ideologia de gênero, Judith Butler rejeita essa classificação. Ela afirma que existem diversas teorias sobre gênero e que seu trabalho representa apenas uma delas. A ideia de gênero como categoria médica tem origem com o médico neozelandês John Money.

Leia Também:  Aplicativos de namoro: 23% dos brasileiros já tiveram encontro com desconhecido

Até meados do século XX, a palavra “gender” era usada quase exclusivamente na gramática, para classificar substantivos como masculinos, femininos ou neutros. Foi Money quem introduziu o termo no campo da medicina. O historiador Vern Bullough registra que, em 1955, o médico adotou a palavra “gênero”.

Um dos principais problemas enfrentados pelas teorias de Money na comunidade científica da época era a impossibilidade de testá-las experimentalmente. O cenário mudou com o caso da família Reimer. O casal tinha dois filhos gêmeos, mas um deles, Bruce, perdeu o pênis durante uma circuncisão malsucedida.

Desesperados, os pais seguiram o conselho do médico e decidiram criar o filho que sofreu o acidente como se fosse uma menina, chamada Brenda. A experiência foi divulgada como um sucesso, mas a realidade era muito mais sombria. Coube ao pesquisador Milton Diamond, rival de John Money, revelar o que realmente aconteceu.

Essa história é contada pela Brasil Paralelo no novo filme “O Menino que se Chamava Brenda”. O trailer completo está disponível abaixo.

Fonte: Brasil Paralelo Notícias

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade