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COMBATE AO TERRORISMOEUA e aliados impõem sanções a PCC e Comando Vermelho; Brasil sob pressão

Coalizão de 19 países liderada pelos EUA classifica facções como narcoterroristas e adota medidas que pressionam o governo brasileiro.

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Uma coalizão de nações latino-americanas e caribenhas, coordenada pelos Estados Unidos, divulgou um pacote de sanções contra organizações criminosas que atuam na região, com destaque para o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). O anúncio foi feito após um encontro realizado em Nova York, aproveitando a presença de líderes na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

No comunicado oficial, os integrantes do bloco autodenominado Escudo das Américas qualificaram as facções como grupos de narcoterrorismo transnacional. As medidas incluem o bloqueio de bens e ativos financeiros, a proibição de entrada em territórios dos países signatários e a abertura de processos judiciais contra indivíduos associados a essas organizações.

Além das ações unilaterais, os países anunciaram que vão recorrer à Organização dos Estados Americanos (OEA) para pleitear uma resolução conjunta de combate ao crime organizado. Cada nação, no entanto, precisará submeter as sanções aos seus respectivos processos legislativos internos antes de implementá-las integralmente.

Segundo o analista sênior de Internacional da CNN, Américo Martins, a adesão em massa à proposta norte-americana exerce forte pressão sobre o governo brasileiro. “Essa decisão coloca uma certa pressão sobre o governo brasileiro, porque estamos falando de vários países simultaneamente classificando muitas organizações criminosas no continente latino-americano como organizações terroristas”, avaliou.

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Martins ressaltou que a postura diverge da posição histórica do Brasil, que prefere enfrentar o crime organizado por meio de cooperação regional, sem delegar a missão a forças estrangeiras. O governo brasileiro defende uma abordagem que privilegia a atuação conjunta com potências, especialmente os Estados Unidos, mas sem abrir mão de sua soberania.

O momento do anúncio também chamou a atenção do analista, que lembrou a proximidade das eleições presidenciais brasileiras. Para ele, o timing pode gerar interpretações políticas distintas. Uma fonte do Itamaraty ouvida por Martins classificou os países que seguiram a orientação de Washington como nações que “seguem indiscriminadamente as políticas de Washington, terceirizando inclusive a questão do combate ao narcotráfico”.

Contudo, o analista pondera que a tese de interferência eleitoral perde consistência porque as sanções não se restringem ao PCC e ao Comando Vermelho. Diversas outras organizações criminosas latino-americanas também foram incluídas na lista, o que indica um esforço mais amplo de combate ao narcotráfico na região.

O Escudo das Américas reúne 19 países do hemisfério ocidental dedicados ao enfrentamento do tráfico de drogas e crimes conexos. A iniciativa representa uma articulação diplomática que pode remodelar a cooperação em segurança na América Latina, com possíveis desdobramentos para a política externa brasileira.

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Enquanto isso, o governo brasileiro ainda não se pronunciou oficialmente sobre as medidas. Nos bastidores, a avaliação é de que o país precisará equilibrar a defesa de sua soberania com a necessidade de alinhamento a uma agenda internacional de combate ao crime organizado que ganha cada vez mais força.

Fonte: CNN Brasil

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