Os Correios fecharam o primeiro semestre de 2026 com um saldo negativo de R$ 5,4 bilhões, de acordo com dados preliminares do balancete contábil obtidos pelo g1. Apenas entre abril e junho, o rombo acumulado ficou em torno de R$ 2,2 bilhões.
O balancete é um documento interno que mostra a situação das contas de uma empresa em determinado período, servindo como uma prévia dos resultados oficiais. Apesar do valor ainda elevado, o prejuízo do semestre foi menor do que o verificado nos dois trimestres anteriores, indicando uma ligeira melhora na situação financeira da estatal, que havia atingido um recorde negativo no começo do ano.
A companhia ainda não divulgou oficialmente os números, e não há previsão para que isso ocorra. Em nota, os Correios afirmaram que as demonstrações contábeis estão em processo de consolidação e só serão publicadas após aprovação dos órgãos internos, seguindo as regras de governança da empresa.
As receitas acumuladas até junho ficaram praticamente estáveis em relação ao mesmo período de 2025, com uma pequena queda de R$ 28,2 milhões. Enquanto isso, as despesas totais recuaram R$ 1,1 bilhão, passando de R$ 13,5 bilhões para R$ 12,4 bilhões.
O resultado, embora negativo, ficou melhor do que o esperado pela própria estatal, que projetava gastos de R$ 14,8 bilhões para o semestre. A diferença de R$ 1,2 bilhão a menos representa uma surpresa positiva.
No entanto, mesmo com a redução geral das despesas, alguns setores apresentaram crescimento, como o de logística integrada, que envolve serviços de preparação e envio de pedidos para empresas. A receita dessa área mais que dobrou, saltando de R$ 205 milhões para R$ 423 milhões.
Em contrapartida, as encomendas internacionais sofreram uma queda brusca. Esse segmento, que antes representava mais de 20% da receita total, agora responde por apenas 4,3%, com R$ 355 milhões arrecadados no semestre.
A diminuição está ligada ao programa Remessa Conforme, que desde 2023 cobra imposto de importação de 20% em compras de até US$ 50, medida conhecida como ‘taxa das blusinhas’. Mesmo com o fim da tributação, a recuperação não veio, pois o programa continua em vigor.
As despesas com pessoal, um dos maiores desafios da empresa, tiveram uma leve redução de R$ 20 milhões, totalizando R$ 5,2 bilhões no semestre. Esse valor ficou 15% abaixo do que estava previsto, ajudando a conter os gastos.
Além disso, os custos com planos de saúde e previdência complementar diminuíram R$ 260 milhões em relação ao ano anterior, aliviando um pouco o orçamento.
Por outro lado, as despesas financeiras e com provisões continuam em alta, puxadas por juros de empréstimos e possíveis perdas judiciais. Os gastos financeiros cresceram 179%, passando de R$ 590 milhões para R$ 1,6 bilhão, incluindo multas e encargos de contratos.
Parte desse aumento vem do empréstimo de R$ 12 bilhões contratado no fim de 2025, que deve gerar R$ 22,4 bilhões em juros ao longo dos anos. Já as provisões para perdas judiciais somaram R$ 1,6 bilhão até junho, uma alta de 44,5% em relação ao mesmo período do ano passado.
Especialistas apontam que a melhora no resultado semestral é positiva, mas ainda insuficiente para reverter a situação deficitária dos Correios. A empresa depende de uma reestruturação mais profunda para voltar a ser sustentável.
O governo federal acompanha de perto os números, já que a estatal pode precisar de novos aportes ou medidas de redução de custos para evitar um agravamento da crise. A expectativa é que o balanço oficial seja divulgado nas próximas semanas.
Fonte: G1





























