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VAREJOLojas Marabraz pede recuperação judicial com dívida de R$ 140 milhões

Rede de móveis e eletrodomésticos tenta na Justiça renegociar passivos e manter operação de 135 lojas.

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A tradicional rede Lojas Marabraz, conhecida no setor de móveis e eletrodomésticos em São Paulo, ingressou com pedido de recuperação judicial em caráter urgente na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da capital paulista. A companhia acumula débitos de aproximadamente R$ 140 milhões e busca proteção legal para renegociar as pendências financeiras, evitando a interrupção definitiva das atividades.

O agravamento das finanças da empresa é atribuído a uma conjunção de fatores adversos que afetam o comércio varejista: a escalada das taxas de juros, a diminuição do poder de compra das famílias, o crescimento da inadimplência e disputas internas entre sócios e membros da família controladora. Esses elementos combinados reduziram drasticamente a capacidade da organização de obter novos financiamentos e renovar contratos de crédito já existentes.

O ponto de inflexão para a crise das Lojas Marabraz está ligado à estrutura de capital do grupo. Desde sua fundação, a família proprietária recorria a empréstimos no mercado financeiro para financiar as operações diárias, prática comum em negócios que demandam grande volume de capital de giro. Essas operações eram lastreadas, majoritariamente, por imóveis pertencentes aos sócios.

Entretanto, os conflitos internos geraram um bloqueio na administração do patrimônio imobiliário da rede. Em meio às disputas judiciais e familiares, os gestores perderam o comando sobre as empresas que detinham os imóveis, impossibilitando que esses ativos continuassem servindo de garantia para novas transações financeiras.

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Com a perda do controle patrimonial, as instituições bancárias deixaram de aceitar as garantias oferecidas, endureceram as condições de renovação dos empréstimos e passaram a exigir novas contrapartidas, que a empresa não conseguia apresentar. Esse cenário provocou uma asfixia de crédito, comprometendo a sustentabilidade financeira de curto prazo.

Além dos problemas internos, a Marabraz sofre com mudanças estruturais no varejo, impulsionadas pela digitalização do comércio e pela alteração nos hábitos de consumo, que reduziram o fluxo de clientes nas lojas físicas e pressionaram as margens de lucro.

O pedido de recuperação judicial apresentado pela rede visa, primeiramente, suspender as execuções de dívidas em andamento, para que a administração possa elaborar um plano de reestruturação viável. O objetivo é preservar as operações comerciais e manter os postos de trabalho gerados pela empresa.

Historicamente, a Marabraz chegou a operar 135 unidades, distribuídas pela Região Metropolitana de São Paulo, Baixada Santista, Vale do Paraíba e interior do estado. A capilaridade da rede a tornava uma das marcas mais emblemáticas do setor na região.

O movimento da rede de móveis reflete um cenário mais amplo de dificuldades enfrentadas pelo empresariado brasileiro. Dados levantados pela Serasa Experian indicam que, apenas no primeiro trimestre de 2026, foram registrados 194 pedidos de recuperação judicial em todo o país, um número expressivo que demonstra a fragilidade do setor.

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Grandes companhias também estão sob pressão. A Raízen, por exemplo, optou por uma recuperação extrajudicial para reestruturar suas dívidas, enquanto a Casas Bahia avalia novas alternativas de reestruturação financeira. Esses casos ilustram a onda de renegociações que atinge o varejo e outros segmentos.

Especialistas apontam que a combinação de juros elevados, crédito escasso e queda no consumo deve manter o número de recuperações judiciais em patamar alto ao longo do ano. A tendência é que empresas com alto endividamento e pouca capacidade de geração de caixa busquem a Justiça para sobreviver.

Para as Lojas Marabraz, o sucesso do pedido dependerá da capacidade de apresentar um plano que convença os credores e que esteja alinhado às condições atuais do mercado. A empresa também precisará resolver as disputas internas para garantir a governança necessária à reestruturação.

Enquanto isso, consumidores que possuem contratos com a rede devem ficar atentos às comunicações oficiais sobre o andamento do processo. A recuperação judicial não implica, de imediato, o fechamento das lojas, mas pode haver mudanças na forma de pagamento ou na oferta de produtos.

A expectativa é que a Justiça analise o pedido em caráter de urgência, dada a situação crítica apresentada pela empresa. Caso a recuperação seja deferida, a Marabraz terá um prazo para apresentar o plano detalhado aos credores, que poderão aprová-lo ou sugerir alterações.

Fonte: ND+

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