O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) revelou, em um relatório enviado à Polícia Federal, movimentações financeiras suspeitas que envolvem o escritório do advogado Nelson Wilians e o empresário Mauricio Camisotti, ambos sob investigação no contexto do esquema de fraudes do INSS. Segundo o COAF, o escritório de Wilians teria movimentado um total de R$ 4,3 bilhões em transações entre 2019 e 2024, sendo que parte desses valores pode estar relacionada a pagamentos de descontos ilegais aplicados sobre aposentadorias e pensões de segurados do INSS.
A investigação, que faz parte da Operação Sem Desconto, deflagrada em abril de 2024, aponta que as transações ocorreram principalmente entre 2021 e 2022, período em que foram movimentados R$ 1 bilhão, com créditos de R$ 529,8 milhões e débitos de R$ 522,8 milhões. Além disso, entre 2023 e 2024, o escritório de Wilians teria movimentado R$ 883 milhões. A maior parte dessa movimentação envolveu o empresário Camisotti, que, segundo as investigações, seria um dos principais beneficiados pelo esquema de fraudes que envolvem descontos indevidos em aposentadorias e pensões de aposentados.
O empresário Mauricio Camisotti, que figura como um dos investigados no caso, teria realizado pagamentos de até R$ 15 milhões ao escritório de Wilians. Camisotti é acusado de usar empresas associadas a ele para efetuar fraudes no processo de filiação de aposentados e de realizar pagamentos irregulares para lobistas ligados à prática de fraudes no INSS. O COAF também identificou movimentações financeiras incompatíveis com o faturamento declarado por Camisotti, o que reforça a suspeita de que o empresário estaria envolvido em atividades ilícitas.
Em uma das transações mais polêmicas, o relatório do COAF revelou que Camisotti adquiriu um imóvel de alto padrão em São Paulo, no valor de R$ 22 milhões, em 2020. O imóvel foi registrado como sendo a nova residência de Nelson Wilians. Esse tipo de transação foi apontado como parte do esquema de movimentações suspeitas, que envolvem uma série de transações privadas entre o advogado e o empresário.
Apesar das revelações, tanto Nelson Wilians quanto Mauricio Camisotti negaram qualquer envolvimento em atividades criminosas. Em nota, Wilians afirmou que as transações são legítimas e que não há qualquer vínculo com as investigações do INSS. O advogado também se defendeu das acusações de que a movimentação de recursos seria incompatível com a atuação do escritório, argumentando que os valores são compatíveis com o porte de seu escritório e que os imóveis adquiridos e transações financeiras realizadas são de natureza privada.
Por sua vez, a defesa de Mauricio Camisotti também negou que o empresário tenha envolvimento nas fraudes do INSS, afirmando que ele contratou uma investigação privada para provar sua inocência e que as negociações com Wilians não têm relação com as atividades empresariais de Camisotti.
A Polícia Federal segue investigando o caso, e novos desdobramentos podem surgir nas próximas semanas, com a possibilidade de prisões e bloqueios de ativos financeiros. O caso é um dos maiores esquemas de fraude envolvendo o INSS nos últimos anos e está gerando repercussão tanto no meio político quanto no jurídico.
Fonte: Revista Oeste































