A Reserva Extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema, localizada entre os municípios de Sena Madureira e Manoel Urbano, no Acre, tem se destacado como um modelo de desenvolvimento sustentável aliado à conservação ambiental. Criada em 2002, a unidade de conservação abrange mais de 754 mil hectares de floresta ombrófila e abriga comunidades que transformam recursos naturais em produtos artesanais, como peças de látex moldadas à mão.
O artesão Jilberto Maia, morador da reserva, iniciou o trabalho com látex em 2003, após capacitação do Sebrae. Ele conta que o processo envolve coleta do látex, preparo do leite, mistura com pó de casca e moldagem manual até chegar ao formato de animais da fauna amazônica, como a onça-pintada — a peça mais procurada, que leva até 15 dias para secar e exige acabamento complexo. Cada peça é vendida entre R$ 90 e R$ 100. Maia afirma que o artesanato transformou sua relação com o meio ambiente: antes, desmatava para plantar macaxeira, milho e arroz para venda; hoje, cultiva apenas para consumo e evita o desmatamento.
O grupo de mulheres da comunidade, formado há mais de 15 anos, produz suplas em formato de folhas, feitas inteiramente à mão com látex. A artesã Francisca Moura Maia explica que a produção é principalmente por encomenda e também atende visitantes. O trabalho é colaborativo, com revezamento entre as casas das famílias. O Centro de Artesanato Cazumbarte, inaugurado em 2019 com apoio do governo do Acre, abriga as atividades. O grupo busca retomar a produção e fortalecer a bioeconomia local. “Essa arte é muito importante, porque permite tirar uma renda sem prejudicar a floresta e garante um futuro melhor”, afirma Francisca.
A artesã Joice Maia, que atua há oito anos, aprendeu o ofício nas oficinas do Sebrae e destaca a importância da capacitação. As ações articuladas entre o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o governo do Acre promovem cidadania, participação comunitária e desenvolvimento sem comprometer o meio ambiente. A Resex Cazumbá-Iracema consolida-se como referência em inclusão social e conservação, com o artesanato como elo entre gerações e a floresta.
Fonte: Agência de Notícias do Acre






























