Os postulantes à Presidência da Colômbia, Abelardo de la Espriella e Iván Cepeda, concluíram neste domingo (14) suas atividades de campanha com grandes aglomerações, faltando exatamente uma semana para a votação do segundo turno. O cenário eleitoral é fortemente marcado por divisões profundas e uma escalada de violência que assola o país.
De la Espriella, advogado de orientação ultradireitista, liderou um ato público na cidade de Buga, localizada no sudoeste colombiano. O evento reuniu milhares de simpatizantes, e o candidato discursou de um palco elevado, protegido por uma estrutura de vidro à prova de balas.
Em sua fala, o político, que se autointitula um representante da antipolítica e afirma ser admirador do presidente norte-americano Donald Trump, classificou a disputa como algo que transcende o campo político. “Isto não é apenas uma contenda partidária; é uma causa moral, um confronto espiritual”, declarou.
A plateia exibia bandeiras nacionais e camisas da seleção colombiana de futebol, num gesto de apoio ao candidato. Jimmy Henao, militar reformado, disse à AFP que o que o move é a necessidade de “tranquilidade para trabalhar e progredir”. Ele viajou com a esposa de uma cidade vizinha do departamento de Valle del Cauca, região duramente afetada pela atuação de grupos criminosos ligados ao tráfico de drogas. Henao manifestou a esperança de que “o país mude com o Tigre”, apelido de De la Espriella.
Enquanto isso, em Barranquilla, cidade caribenha, Cepeda fechou sua campanha com uma concentração popular numa zona periférica. O senador de esquerda, visto como continuador do projeto do atual presidente Gustavo Petro, alertou contra o discurso do medo. “O ódio e o pavor tentam se sobrepor à esperança”, afirmou. Ele conclamou os eleitores a não se deixarem enganar ou amedrontar, pedindo foco no futuro com otimismo.
A Colômbia enfrenta neste momento o mais grave surto de violência dos últimos dez anos. Ataques de grupos guerrilheiros, chacinas e extorsões tornaram-se frequentes. Durante a campanha, o pré-candidato presidencial Miguel Uribe foi assassinado, episódio que chocou o país.
Desde que assumiu o poder, Petro iniciou negociações de paz com as maiores organizações armadas, dentro de sua estratégia chamada de “paz total”. Cepeda foi um dos mentores dessa política. No entanto, analistas apontam que nenhuma das tratativas avançou de fato, enquanto os grupos criminosos aumentaram sua influência em diversas regiões.
De la Espriella defende o abandono dos diálogos em favor de uma abordagem mais enérgica contra o crime. Em seu discurso em Buga, prometeu agir com rigor: “Serei implacável com os criminosos, duro com os corruptos e inflexível diante do terrorismo”, garantiu, afirmando que submeterá os infratores “pela razão ou pela força da lei”.
Fonte: Jovem Pan































