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CONFRARIAAo menos 135 servidores públicos vão a Portugal com verba oficial para evento de Gilmar Mendes

Órgãos públicos dos três Poderes financiam viagem de 135 autoridades ao Fórum de Lisboa, conhecido como Gilmarpalooza, com gastos de ao menos R$ 692 mil em diárias.

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Autoridades dos três Poderes públicos autorizaram a participação de pelo menos 135 pessoas, entre servidores e titulares de cargos, no Fórum de Lisboa, evento coordenado pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que ganhou o apelido de “Gilmarpalooza”. A 14ª edição do encontro ocorrerá entre 1º e 3 de junho, em Portugal. Tradicionalmente, o fórum reúne figuras do meio político e jurídico, além de promover atividades sociais paralelas. Em 2024, o banqueiro Daniel Vorcaro, por exemplo, esteve presente nos eventos realizados fora da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

Grande parte dos custos com diárias e passagens será coberta com recursos públicos. Somente o Tribunal de Justiça do Piauí e o Tribunal de Contas da União (TCU) divulgaram os valores gastos: juntos, desembolsarão R$ 692 mil em diárias para seus membros e funcionários. O número real de viagens tende a ser maior, pois o levantamento abrange apenas os nomes publicados em Diários Oficiais e em sites de órgãos federais, estaduais e municipais.

A maioria dos autorizados a viajar não ocupa cargos de primeiro escalão. Até o momento, não houve publicação oficial autorizando a ida de ministros do governo Lula (PT), embora isso não signifique que eles não comparecerão. A Câmara dos Deputados também não divulgou quais parlamentares terão despesas custeadas; a instituição informou que apresentará os dados assim que estiverem consolidados.

A organização do Fórum também não divulgou a lista oficial de participantes. Em nota, afirmou que o evento em Portugal tem caráter estritamente acadêmico, promovido por instituições de ensino e pesquisa, focado no debate jurídico, institucional e científico de temas de interesse público. Segundo a organização, “a eventual participação de servidores ou agentes públicos decorre de decisão autônoma dos respectivos órgãos aos quais estão vinculados, observadas as normas administrativas próprias de cada instituição”. A organização ainda destacou que não tem ingerência sobre autorizações administrativas, afastamentos funcionais ou custeio por terceiros.

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Além de Gilmar Mendes, a expectativa era a presença de outros dois ministros do STF: Alexandre de Moraes e Flávio Dino. No entanto, Dino precisou cancelar a viagem após sofrer um acidente doméstico que resultou em fratura no pé. A Advocacia-Geral da União (AGU) é o órgão com o maior número de viagens autorizadas: ao menos 22 servidores, embora ainda não constem no Painel de Viagens do governo federal os valores de deslocamentos e diárias. Já o Tribunal de Justiça do Piauí enviará uma comitiva de 13 pessoas, com gasto de R$ 392 mil apenas em diárias.

O TCU terá 13 representantes, incluindo quatro ministros, e pagará R$ 300 mil em diárias. Além do Fórum, que começa em 1º de junho, parte do grupo participou do Encontro Internacional sobre Consensualismo, realizado na sexta-feira (29).

O governador de Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos), levará ao menos oito pessoas ao evento, incluindo a primeira-dama, Karynne Sotero Campos, cuja passagem será paga pelo governo local. Ela já acompanhou o marido em edições anteriores. O governo estadual não informou o valor total gasto com diárias, hospedagens e passagens, mas afirmou que a agenda de Barbosa faz parte da estratégia de fortalecimento da presença institucional do Tocantins em debates, além da apresentação de potencialidades estaduais nas áreas de infraestrutura, logística, agroindústria e sustentabilidade ambiental. O governador será palestrante no painel “Energia como ativo estratégico na economia verde e digital”.

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O próprio ministro Gilmar Mendes entrou em contato com autoridades e figuras de destaque para reforçar o convite neste ano, especialmente a integrantes do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Essa articulação ocorre em meio às tensões políticas geradas pelo escândalo do Banco Master e após a defesa de um código de ética pelo presidente do STF, Edson Fachin. Gilmar negou que o cenário político esvaziará o evento e rejeitou críticas sobre realizar o fórum fora do país e receber autoridades que posteriormente se tornaram alvo de investigações.

“Estamos fazendo talvez um dos maiores eventos que já fizemos, com mais de 470 palestrantes e disputas por lugar. Talvez pessoas que não queiram ir ao Fórum e queiram ser simpáticas à ideologia da Folha estejam ecoando isso, mas não percebemos isso, felizmente”, afirmou. “Não sei quem plantou essa ideia que o problema é o ‘Gilmarpalooza’, mas para nós é uma coisa muito ‘naïve’ [ingênua]”, disse ele.

O levantamento considera apenas os nomes localizados em Diários Oficiais e sites oficiais, o que sugere que o número real de viajantes com custeio público seja superior. O Fórum de Lisboa é um evento anual que mobiliza a elite jurídica e política brasileira, gerando debates sobre o uso de recursos públicos em viagens internacionais.

Fonte: O Sul

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